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Natural de Albergaria é lider mundial em material de comunicação visual

Virgílio Vasconcelos

Aos 15 anos, quando andava na Escola Industrial, a sua habilidade como serralheiro e torneiro mecânico foi distinguida. Estava escrito que haveria de chegar ao cimo da montanha. Hoje, Virgílio Vasconcelos é o maior fabricante mundial de material de comunicação visual.

Olhando para trás – para a vida dele antes de, aos 40 anos, se ter aventurado a ir vender estampados de cortiça para uma feira em Düsseldorf – estão lá os sinais todos de que Virgílio, nascido em Albergaria-a-Velha um ano antes do início da II Guerra, ia chegar ao cimo da montanha. Só não era possível adivinhar nem quando nem como.

Não teve um berço de ouro. O pai fugiu para a Venezuela, deixando a mãe com três filhos pequenos nos braços. Mas o seu jeito com as mãos e esperteza começaram logo a dar nas vistas na escola industrial. Aos 15 anos ganhou os prémios nacionais que distinguiam os melhores serralheiro artístico e torneiro mecânicos – e o qualificaram para concursos internacionais, que também venceu.

Foi desenhador e chefe de turno nos Amoníacos e na Alba, até que a tropa o chamou para Vendas Novas, de onde saiu sargento de artilharia e com guia de marcha para o GACA 3, perto de Espinho, onde foi fatalmente atingido pela flecha de Cupido – conheceu e apaixonou-se por Aida, com quem está casado há 44 anos.

A tropa uniu-os e separou-os, mas apenas provisoriamente. Ele fez o primeiro curso de Rangers e foi mobilizado para Angola, enquanto ela estudava secretariado de direcção em Guilford, Inglaterra. Virgílio regressou da guerra, casaram-se, tiveram três filhos, mas como, para ele, “serem felizes para sempre” não contemplava trabalharem por conta de outrem, não descansou até montar o seu próprio negócio. Em 1977, com 39 anos, despediu-se e debutou como empresário a encher bisnagas de guaches e tubos de cola na garagem.

Aos poucos foi diversificando na produção de material escolar, começando a usar como matéria-prima a cortiça – ao fim e ao cabo estava no local onde bate o coração desta indústria. Navegando à vista, ao sabor das oportunidades, comprou uma máquina de estampagem, que usou em T-shirts , mas não tardou até estar a estampar os logótipos da Taylors e da Corticeira Amorim em bases de cortiça para copos.

Foi quando se deu o clique. Virgílio achou por bem participar numa feira de artigos publicitários em Düsseldorf. O responsável do Fundo de Fomento de Exportação com quem foi falar a Lisboa tentou dissuadi-lo. “Não se meta nisso da cortiça. O que está a dar são flores secas”, aconselhou-o. Mas não o demoveu.

A feira foi um sucesso estrondoso. Os clientes aguardavam em fila a vez de fazerem encomendas. Virgílio sabia que não tinha capacidade instalada para tanto pedido, mas aceitou-os todos. Comprou mais maquinaria, inventou uma maneira expedita de a desalfandegar a tempo de cumprir os prazos da enorme encomenda de bases de copos em cortiça com o logo do Deutsche Bank. “Durante um ano trabalhamos noite e dia. Em média, dormia duas horas”, recorda.

Virgílio queria que a mulher se despedisse do lugar de correspondente de línguas estrangeiras na Sicor, de Álvaro Rola, mas Aida resistiu a deixar um emprego bom numa empresa sólida. “Para a convencer a vir trabalhar comigo, tive de lhe depositar 1500 contos na conta bancária pessoal”, conta.

A Bi-Silque foi crescendo ao sabor das necessidades de um mercado que recebeu bem os quadros de cortiça, para afixar recados e lembranças, que eles começaram a produzir. Em 1990, especializaram-se nos quadros. Primeiro só de cortiça, depois também de papel e de todos os materiais.

Hoje, a Bi-Silque é o maior fabricante mundial de comunicação visual, tendo como clientes as grandes cadeias de material escolar e de escritório (Staples, Office Depot e Lyreco,).

Na sua fábrica em Esmoriz, com 25 mil m2 de área coberta, 430 trabalhadores fazem todo o tipo de quadros, exportados para 48 países (98% da produção vai para o mercado externo), usando 70% de matérias-primas nacionais, no seu grosso oriundas da fileira florestal. Com as empresas nos EUA e Inglaterra, e escritórios na Alemanha, o grupo Bi-Silque tem facturado 50 milhões de euros/ano, o que deixa Virgílio satisfeito, mas não quieto.

O rapaz que nos anos 50 era um excelente serralheiro e torneiro mecânico tornou-se num empresário que sabe que no século XXI não se pode estar parado. Por isso, após exibir as maravilhas do seu Blackberry, fez uma demonstração dos protótipos dos quadros interactivos e em LCD que está já a desenvolver em joint-venture com chineses e americanos, e em colaboração com a Nova de Lisboa e a Universidade de Coimbra. “É preciso estar sempre de olho no futuro”, explica.

31-08-2009
Fonte / Foto: DN Bolsa

1 comentário

#1Cruz2 de Setembro de 2009, 20:08

Morou na rua Mártir São Sebastião e ainda tem familiares em Albergaria

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