Albergaria: Advogado baleado não resistiu aos ferimentos e acabou por morrer

pistolaO advogado de 53 anos que foi baleado, anteontem, segunda-feira à tarde, no seu escritório de Estarreja , acabou por falecer nos Hospitais da Universidade de Coimbra onde deu entrada em estado crítico. O agressor ficou preso, segundo noticia do JN de hoje.

Ainda segundo o mesmo jornal, João Pedro Melo Ferreira foi atingido com dois tiros na cabeça por um empresário da construção civil de Albergaria-a-Velha, no seu escritório. Pedro Melo Ferreira representava a esposa do empresário num processo de partilhas pós-divórcio que se arrastava há anos. O empreiteiro terá agido por vingança.

Melo Ferreira, causídico há 23 anos, residente em Pinheiro da Bemposta (Oliveira de Azeméis), defendia os interesses da ex-mulher de Manuel Pimenta, de 58 anos, proprietário das Construções Pimenta, de Albergaria-a-Velha, e responsável por diversas obras nas zonas de Albergaria, Estarreja e Ovar. O casal estava divorciado há cerca de dez anos e as relações entre ambos nunca foram as melhores, segundo o JN apurou.

Manuel Pimenta nunca aceitou o facto de a ex-mulher, que vivia na zona de Sobreiro, Albergaria, com um filha do casal, defendesse os seus interesses patrimoniais de forma abnegada e reivindicasse uma importância da ordem dos 100 mil euros ao ex-marido.

Anteontem, ao princípio da tarde, Manuel Pimenta deslocou-se ao escritório do advogado pela segunda vez. Da primeira, pela manhã, não foi atendido. Regressou mais tarde e esperou pela sua vez para falar com o causídico. No interior do escritório, houve troca de palavras mais acesas e o som de dois disparos de pistola que atingiriam na cabeça o advogado Melo Ferreira.

Manuel Pimenta abandonou o edifício e telefonou para a GNR de Estarreja. Anunciou o que acabava de acontecer, disse que queria entregar-se e combinou um encontro para perto da bomba da Galp, naquela localidade.

Mais tarde, o homicida confesso foi entregue à Polícia Judiciária de Aveiro, que ontem o levou a tribunal. Após o interrogatório, um juiz decretou a sua prisão preventiva. Já está no Estabelecimento Prisional Regional de Aveiro. Para além da pistola de calibre 6,35 mm que utilizou para assassinar o advogado, a Polícia Judiciária de Aveiro apreendeu ao empresário da construção civil diversas armas na sua residência na Rua do Agro, em Albergaria-a-Velha.

Cadastrado, com duas condenações por ofensas corporais agravadas, já tinha mudado de advogado no processo de divórcio. A primeira defensora renunciou devido ao seu carácter quezilento e a própria família sofreu na pele, ao longo dos anos, a sua agressividade.

O Correio da Manhã de hoje adianta ainda que há 24 anos, a filha foi agredida no pescoço com uma catana. “É uma marca que ela leva para a vida. Ela prometeu nunca mais falar com o pai e cumpriu-o. Nem conhece os netos”, diz um vizinho, no lugar do Campinho.

O afastamento da mulher e o processo de divórcio que terminou agora com o homicídio pela partilha dos bens aconteceram há nove anos, depois de agressões sucessivas, que se estenderam à sogra.

Um dos irmãos de Manuel Pimenta foi igualmente vítima da sua raiva. Há muitos anos foi agredido com um pau. Manuel Pimenta não se comoveu com o laço familiar, nem sequer com o facto de o irmão ter uma deficiência física.

Pormenores

A vida da ex-mulher do homicida é marcada pelo sofrimento. “Ele era muito mulherengo e a mulher sabia e sofria muito”, conta a proprietária de um café nas redondezas.

Com a saída da mulher da empresa, as Construções Pimenta começaram a perder prestígio. Chegaram a ter 20 funcionários, agora apenas têm seis. Anabela geria os negócios.

Manuel Pimenta ameaçava destruir todos os bens que tinha, para que aqueles não ficassem para a família. Estava agora “tresloucado” com a hipótese de penhoras.

30-09-2009
Fontes: JN / Correio da Manhã

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11 Comentários

  1. carlos diz:

    Não conhecia a vitima. No prefácio à terceira edição da sua obra Código das Expropriações aparece uma referência ao advogado Manuel Homem Ferreira com quem concerteza conviveu e se calhar directamente face à inclusão desse texto e ao facto de dedicar-lhe essa edição da sua obra http://novos-arruamentos.blogspot.com/2009/01/sobre-o-dr-manuel-homem-ferreira.html De certeza que algumas dessas palavras também se poderão aplicar ao agora falecido: “Este ilustre advogado era por todos reconhecido como jurista distinto, livre, probo e combativo, estimado pela correcção de trato e pela lealdade com que sempre se relacionou com colegas e magistrados. Admirado pelo seu inconfundível estilo a peticionar e a alegar, que se concretizava no uso exacto, expressivo e conciso da palavra, aliado a um insuperável rigor técnico e a uma fina ironia. A sua morte representou para a advocacia portuguesa a perda de um dos seus mais lídimos representantes que ao longo de mais de cinquenta anos, de profícua actividade, a prestigiou.” (2004)

  2. amigos diz:

    Embora reconhecendo que errou, compreendemos-te pois conhecíamos o inferno em que vivias. perdeste a  cabeça a justiça te julgara, as pessoas que hoje te estão a condenar são  aquelas a que matas-te a fome muitas vezes. não és o diabo que te querem pintar, és humano e quem nunca errou que atire a primeira pedra.  Estamos contigo         AMIGOS DE ALBERGARIA

  3. amigos da guine diz:

    quem não perdia a cabeça, por escrever três cartas levou-me  1600 euros !!  perdi a vontade de la voltar novamente 

  4. bom dia ao autor desta noticia, não sei quem é, nem quem foram as fontes de informação que teve.
    o que sei é que estou a ser vitima de toda ELA, pois sou um dos visados na mesma, sou acusado e mal tratado publicamente de ser o informador de toda esta notica pela familia,.agradecia que esclarecessem .publicar ou não fica a vosso critério

  5. jorge diz:

    Pelo menos uma parte da noticia foi retirada do jornal Correio da Manhã. Devem ter estado em Albergaria e falado com algumas pessoas. Como é normal não exercem o contraditório e não falam com as pessoas envolvidas. Limitam-se a ouvir duas ou três pessoas que lhe relatam o que sabem (ou o que acham que sabem ou o qe ouviram de outros) e colocam na referida noticia. O Nuno Neves e a Tânia Laranjo é que poderiam esclarecer mas também deverão perservar as fontes. No caso da noticia falam várias vezes em “vizinhos”. Mas isto não é uma caça às bruxas. Os amigos do visado já aqui vieram defender o amigo e assim é que deve ser com opiniões distintas de acordo com o ponto de vista pessoal.

  6. admin diz:

    Exmo. Sr. Gualdino Pimenta,

    Relativamente a esta notícia, e à semelhança de todas as noticias que aqui publicamos, somos a esclarecer que a mesma não é da autoria de qualquer dos responsáveis por este portal. Neste caso concreto, e tal como é referido no texto, trata-se de uma notícia veiculada pelo Jornal de Notícias e pelo Correio da Manhã. Para comprovar poderá clicar nos links que se encontram no final do texto onde são indicadas as fontes de informação (que referimos sempre), JN e Correio da Manhã, respectivamente.

    Naturalmente não temos conhecimento de quem terá dado as informações aos jornalistas destes órgãos noticiosos. Da nossa parte negamos veemente que esta informação tenha sido obtida por nós junto do Sr. Gualdino (ou de qualquer outra pessoa) uma vez que a noticia não é sequer da nossa autoria.

    Lamentamos qualquer incómodo que lhe tenha causado, mas acreditamos que tais acusações só possam surgir por uma leitura menos atenta ou má interpretação desta noticia aqui constante. Logicamente que preferimos divulgar coisas boas para a nossa comunidade, e esta é uma noticia que não gostaríamos de ter que publicar, mas o que é facto é que aconteceu, e seguindo os objectivos a que nos propusemos para este projecto não poderíamos deixar de o fazer.

    Se o Sr. Gualdino ou qualquer pessoa considerar que efectivamente dois dos principais jornais do país erraram em alguma da informação que publicaram e nós aqui replicámos, este espaço de comentários está aberto para eventuais esclarecimentos.

    Com os melhores cumprimentos,
    Pedro Cruz – PortaldeAlbergaria.com

  7. admin diz:

    À atenção do(s) utilizador(es) cujos comentários foram moderados:

    - Entendemos não obrigar a registo de forma a incentivar as pessoas a participarem, mas uma vez que qualquer anónimo o poderá fazer, isso tem um custo, que é a moderação. Não serão de todo aceites por nós comentários injuriosos, caluniosos e difamatórios que lancem suspeições infundadas relativamente a qualquer assunto que esteja em discussão. Damos espaço para as pessoas emitirem a sua opinião, desde que de uma forma que não desrespeite pessoas ou instituições. Não se trate sequer de uma medida “interna”, mas sim o cuprimento das mais elementares leis do país no que à liberdade dos cidadãos diz respeito.

    - Por outro lado, sabemos que muitas pessoas utilizam 3 ou 4 “nicknames” diferentes, e temos a noção que qualquer pessoa pode num momento o “António da Silva” com o email antoniodasilva@gmail.com e num outro o “Manuel dos Santos” com o email manueldossantos@hotmail.com.

    - Todos são livres de deixar aqui a sua opinião relativa ao assunto em causa, desde que não o utilizem de forma abusiva, colocando-se no papel de pessoas diferentes, quando na realidade são a mesma. Pretendemos manter este formato até que seja sustentável. O anonimato tem para já o seu espaço, mas cabe às pessoas saber usa-lo.

    Com os melhores cumprimentos,
    Pedro Cruz – PortaldeAlbergaria.com

  8. Filipe diz:

    Sinceramente, não sei qual o problema do senhor que diz estar a ser acusado. Uma pessoa faleceu, por isso não há muito que esconder. Infelizmente deu-se este trágico acidente e não me parece de bom tom acusar alguém ou alguém usar um espaço como este para se desculpabilizar do que quer que seja.
    É de lamentar que surjam noticias como esta, mas infelizmente faz parte de Albergaria.

    Filipe

  9. dc diz:

    Faz parte de Albergaria ou faz parte de qualquer sociedade e de qualquer local. Se calhar não era a sua intenção mas pode dar origem a associações directas entre a terra e o episódio. Aconteceu com pessoas de cá como poderia ter acontecido em qualquer outro lado. Por isso é que em todo o lado há justiça e tribunais para julgar. Não vale a pena falar do estado da nossa Justiça que é outro assunto ;)

  10. Jorge Gonçalves diz:

    Fico chocado até onde este senhor conseguiu chegar e não nutro qualquer sentimento de pena ou revolta, apenas uma total indiferença pela existencia deste senhor.

    Presto aqui as minhas condulências à vítima, que foi mais uma, mas infelizmente não conseguiu lutar para que fosse feita justiça. Estou certo de que outros o farão, porque casos destes não podem nunca passar em branco.

    ”Não há desculpa para o que fiz, mas tenho os meus motivos” (retirado da 1ª noticia) – não há qualquer motivo para matar ou para morrer! Depois de tudo o que fez a tantas pessoas, não aceitou (mais) uma justiça que se fez e agiu da maneira que, infelizmente, todos sabemos.

    Espero que seja feita justiça!

  11. dc diz:

    Não pode haver justificação para a morte de uma pessoa. Da morte não há reversão!

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