Albergaria: Construtor civil albergariense alvejou advogado da ex-mulher

João Pedro de Melo FerreiraColocado perante a obrigação judicial de fazer partilhas com a ex-mulher, que lhe moveu uma penhora de bens, um construtor civil de 58 anos, residente em Albergaria-a-Velha, alvejou ontem o advogado de 53 anos que patrocinou o processo deixando-o em estado “muito crítico”.

O advogado João Pedro Ferreira foi internado nos Hospitais da Universidade de Coimbra. Ao princípio da noite, a vítima, casada e com dois filhos, encontrava-se em estado “muito crítico” em resultado do traumatismo craniano causado pelas balas, com “graves implicações do ponto de vista neurológico”.

O agressor ainda fugiu do local do crime mas acabou por ligar para a GNR confessando o crime e entregando-se.”Não há desculpa para o que fiz, mas tenho os meus motivos”, disse Manuel P. num breve contacto telefónico quando aguardava ser ouvido no Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) da comarca do Baixo Vouga, onde regressa hoje para conhecer as medidas de coacção.

O construtor civil saiu de casa de manhã e foi ao escritório do advogado da ex-mulher. O causídico não estava disponível mas Manuel P. voltou mais tarde e encontrou-o. Queixou-se de viver num inferno desde o divórcio, exaltou-se. O advogado ainda telefonou à sua cliente quando faltavam poucos minutos para o meio-dia, mas esta não atendeu. Devolveu a chamada logo a seguir. Tenta “por três vezes ligar e desiste supondo que não seria nada importante”. Terá sido nesses momentos que Manuel P., já numa discussão acesa, disparou, à queima-roupa, duas balas de pistola calibre 6.35 que o atingem na cabeça.

A secretária do escritório assistiu a tudo e pediu socorro. O alegado agressor fugiu, mas acabou por se entregar à GNR numa gasolineira. Foi entregue à Polícia Judiciária. Foi-lhe apreendida também a arma de fogo, ilegal, que alega ter encontrado numa obra. O suspeito continua hoje a ser ouvido.

Segundo a mulher, que pede anonimato “com medo de retaliações” do ex-marido, o homem não quer dar-lhe “um cêntimo” depois de 25 anos de casamento e uma filha, os quais acabaram em divórcio, já declarado há seis.

A Ordem dos Advogados vai constitui-se assistente no processo-crime que será instaurado contra o agressor de Melo Ferreira, segundo disse o presidente da Delegação da Ordem dos Advogados de Estarreja. Dario Matos referiu que a informação lhe foi prestada por Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados. “Falei com o bastonário que me disse que a Ordem vai constituir-se assistente e que se encontra solidária com a família do colega”. “O bastonário está a acompanhar o estado de saúde do colega”, disse ainda, manifestando a sua “surpresa, estupefacção e grande tristeza” com o caso. “Isto é uma coisa tão incrível…”, diz Dario Matos, salientando que “é a primeira vez que uma coisa destas acontece. O presidente da Delegação da Ordem dos Advogados tem o seu escritório “quase ao lado” do do colega baleado.. “Ouvi os tiros, mas achei uma coisa tão improvável que nem fui ver, só soube depois”, admitiu.

João Ferreira, autor da obra ‘Código de Expropriações’, é um reputado advogado de direito civil e administrativo e faz parte da sociedade Guedes Figueiredo e Melo Ferreira, com sede na Avenida 25 de Abril em Estarreja.

29-09-2009
Fontes: JN / DN
Foto: Arquivo do Jornal de Estarreja

Related Posts with Thumbnails

1 Comentário

  1. JT diz:

    Infelizmente estas tragédias também ocorrem no nosso concelho e reflectem o autoritarismo de alguns cidadãos.

Deixe uma resposta