António Justo: Partido Pirata Alemão – Zé do Telhado a Caminho?

António Justo

Na Alemanha o Partido Pirata alcançou 2,0% dos votos. Permanece assim uma força extra-parlamentar. O partido dos Verde também começou por ser, nos anos 80, um partido insignificante e nas eleições de ontem (27.09.09) conseguiu, na Alemanha, 10,6% com 67 deputados. Os partidos maioritários podem encontrar neles um alfobre de ideias de modernização.

O Partido Pirata expressa o sentir de grande parte dos jovens de hoje. Nasceram da revolução digital. Sonham por um mundo de ideias livres, uma nova economia e pelo respeito da esfera privada que deve ser protegida do Estado e das firmas interessados em controlar os interesses de cidadãos e consumidores.

São contra patentes em alguns sectores, um deles é o dos medicamentos. Como expressão da esfera digital encontram-se no Facebook e noutros fóruns. A sua sede é, de partida, a Net. Pretendem a mudança da sociedade e da economia no sentido duma sociedade igual. Apostam na libertação dos dados e na sua disponibilização. Querem uma economia sem monopólios artificiais e menos poderes centralizados. Situam-se entre a utopia e a defesa do indivíduo. É um partido jovem e masculino. Não publicam a percentagem de mulheres por razões de protecção de dados.

Na Alemanha têm mais de 7. 000 Filiados. São técnicos que querem ver como as coisas funcionam e como funciona o mundo para poderem colocar a sua energia não só ao serviço de multinacionais e instituições mas especialmente ao público. São o que sentem. Como a Internet são individualistas, de sexo neutro que usam a tecnologia como instrumento de emancipação.
O país precisa de novos heróis e da coexistência de várias plataformas. Torna-se urgente o controlo dos tubarões do poder e da economia. Sem utopias o mundo tornar-se-ia cada vez mais gelado.

A revolução digital apresenta uma oportunidade para toda a humanidade mudar de vida no sentido duma humanização da cultura e de Estados acessíveis a todos. Os Partidos Piratas são um bocado de argamassa com que se pode construir um bocado de futuro mais bem caldeado. Talvez possam tornar o cimento da nossa sociedade menos duro, mais maleável. Um bocadinho de todos ajuda a sociedade a ser de todos.

A inteligência digital tem perguntas que exigem uma resposta nova, são uma força positiva.
O seu desejo manifesto internacionalmente requer uma nova programação do mundo. O cérebro deixa de ser equacionado em centrais do poder para se universalizar.

António da Cunha Duarte Justo
antoniocunhajusto@googlemail.com
http://antonio-justo.blogspot.com

29-09-2009

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4 Comentários

  1. JT diz:

    Cada vez mais, os cidadãos não se revêm nos partidos do poder, traduzindo-se essa desilusão no crescimento dos micro, pequenos e médios partidos. O Bloco de Esquerda também começou por ser um partido periférico (resultante da fusão de dois partidos periféricos) e também alcançou uma votação interessante nestas últimas eleições. E o CDS que era um partido quase “moribundo” ganhou uma 2º vida.

  2. andr diz:

    Se for por bons ideiais tudo bem. Os novos partidos (em Portugal) nunca conseguem grandes resultados exceptuando o PRD e o Bloco de Esquerda. Não nos podemos esquecer que há países em que concorrem animais e actrizes pornogáficas, etc. Isso também não traz credibilidade à poltica. As subidas verificas nestas eleições mostram que as pessoas estão desgastadas com os partidos que tem governado o nosso pais. Até o Garcia Pereira teve um resultado razoável.

  3. Creio que a pluralidade é expressão de maturidade!
    O problema está porém em não haver nem uma esquerda nem uma direita bem reflectida.
    Vive-se o oportuno löonge dos interesses da naç1bo e do povo.

  4. anon diz:

    Se a pluralidade é expressão de maturidade, por que será que nos EUA só “existem” 2 partidos

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