
A Auranca – Associação do Ambiente e Património da Branca – manifesta o seu apreço ao governo e à empresa Estradas de Portugal (EP) pela decisão de não adjudicar a construção das Auto-Estradas do Centro onde se inclui a construção da A32 que irá ligar Coimbra a Oliveira de Azeméis.
Trata-se de uma decisão justa e lógica, baseada no parecer da Comissão de Avaliação de Propostas que sugeriu a não adjudicação da obra tendo em conta o agravamento do investimento (inicialmente de 525 milhões de euros) para 1 174 milhões de euros, correspondendo a um aumento superior a 100 por cento. A gestão dos dinheiros públicos e dos contribuintes é factor de ponderação na tomada de decisões pelo que a associação se congratula com este acto de gestão.
A não adjudicação da obra não altera em nada a vontade do governo em construir a A32 uma vez que foi tornado público que a Estradas de Portugal irá lançar novo concurso após as eleições legislativas.
A Associação Auranca, consciente de que a concretizar-se a construção da A32 a nascente da freguesia da Branca (Albergaria-a-Velha) a mesma irá destruir irreversivelmente o seu património paisagístico, social, económico e cultural, manter-se-á atenta ao desenrolar do processo, nunca abdicando da defesa dos interesses da população.
A luta iniciada em Novembro de 2008 não terminou com a decisão da não adjudicação da obra. Ultrapassado o período eleitoral a Auranca reforçará a luta que vem travando, continuando a denunciar os graves erros e omissões do Estudo de Impacto Ambiental (EIA), documento que resultou na Declaração de Impacto Ambiental e na decisão de construir a auto-estrada a nascente da freguesia.
Com a anulação do concurso afigura-se-nos existir uma excelente oportunidade para que o Governo e a Estradas de Portugal promovam um novo Estudo de Impacto Ambiental no que se refere ao troço que atravessa a freguesia da Branca.
Essa é a vontade da Comissão de Acompanhamento da A32 e da população que não quer ver a sua freguesia destruída por um traçado que, para além enormes impactes negativos, constitui uma solução financeiramente muito dispendiosa quando comparado com o traçado base (Solução 1), previsto no PDM há mais de 12 anos.
Tecnicamente a Auranca já demonstrou e reafirmou junto das entidades competentes os elevados custos da solução a nascente em relação à solução poente, bem como os erros e omissões do EIA que irão provocar impactos ambientas e sociais graves e irreversíveis a uma população de 6 500 habitantes. A anulação do concurso não é uma vitória de ninguém mas uma ocasião para serem requacionados o traçado e o EIA que permita implementar uma solução ambientalmente sustentada e respeitadora do ambiente e da vontade do povo.
A Auranca está disponível para, em colaboração com as entidades envolvidas no processo, dar o seu contributo nesta nova fase do processo sendo certo que se manterá alerta e ao lado da população de forma a defender, como tem vindo sempre a fazer, os direitos de quem vive e ama a Branca.
A população, mandatada nas suas decisões pela Auranca, continuará mobilizada na defesa dos seus interesses promovendo todas as acções apropriadas para impedir que se concretize a actual solução ou outra que continue a não servir a população.
A Auranca continua a defender a ligação da alternativa 5A à solução base (a poente) como a proposta mais razoável para resolver o problema, uma solução técnica enquadrável no novo estudo que possa vir a ser promovido pelo governo para o traçado na Branca.
14-09-2009
Texto: Auranca – Associação de Defesa do Ambiente e Património da Branca





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