António Justo: Portugal continua esquerdo e a Alemanha Centro Direita

Razão porque Portugal não se endireita
Se Portugal durante o Estado Novo se encontrava torto à direita, com o 25 de Abril tornou-se torto à esquerda! Um país que obriga o povo a safar-se pela esperteza e não pela inteligência só poderá produzir governantes espertos! A esperteza vive do provisório, sempre sem tempo para viver mas para se safar.
Segundo os resultados eleitorais para o Legislativo, de 27 de Setembro último, Portugal continua um país de esquerda e a Alemanha um país de centro direita.
Em Portugal a esquerda conta com 142 deputados (PS 120, BE 8 e CDU (Comunistas) 14), e o Centro Direita com 84 (PSD 72 e CDS-PP 12), no Parlamento. Portugal, na sua maioria é esquerda e a administração, de maneira geral encontra-se nas mãos de partidários. Na praça pública a vida da nação é discutida sob a perspectiva de interesses partidários. Em Portugal o povo não está presente na opinião pública nem no discurso político. Presentes estão os políticos! Os políticos só parecem conhecer-se e acreditarem em si mesmos. Para os políticos portugueses a nação é uma coisa ultrapassada, o futuro vem do estrangeiro, das remessas dos emigrantes e dos apoios da União Europeia!
Na Alemanha o Centro Direita conseguiu para o Parlamento 330 deputados (União de Cristãos democratas – CDU e sociais democratas – CSU 237 e Liberais – FDP 93) e a Esquerda 290 deputados, dos quais SPD 147, Verdes 67 e Esquerdos-Linke 76.
De notar que na Alemanha o partido da esquerda SPD que corresponderia, diria eu, a nível de família política ao PS, na realidade está mais perto do PSD português do que do PS. O SPD é pragmático enquanto que o PS é ideológico! Os Verdes alemães integram neles elementos conservadores e progressistas.
A Alemanha, na sua maioria é conservadora e na sua administração encontram-se cidadãos com consciência técnica. Na praça pública alemã a vida da nação é discutida pelos políticos e pela sociedade, sob a perspectiva dos interesses do país. Na Alemanha o povo está presente na opinião pública e na política e há uma vida cívica muito organizada: poder-se-ia dizer: cada alemão é uma associação! Os políticos mantêm-se reservados. Na Alemanha os políticos acreditam na nação e vêem o futuro nela.
Estas são apenas algumas impressões provocantes sobre algo do que observo em Portugal e na Alemanha. Se comparo os noticiários dum país com o outro, tenho a impressão que, enquanto na Alemanha se relatam mais os assuntos objectivos nacionais, no telejornal português dá a impressão de Portugal andar em campanha eleitoral durante toda a legislatura. Na Alemanha, as notícias são narradas, em Portugal são encenadas: mais que as notícias o que parece de importância são as cores, o locutor e os sentimentos! Dum lado cultiva-se a razão, do outro a paixão!
Dois povos, dois destinos. Como é sabido os conservadores sabem criar riqueza e os progressistas sabem gastá-la.
Sócrates, na nova legislatura teria a oportunidade de deixar de ser um socialista jacobino para se tornar num homem der estado. A mentalidade oportuna e correcta obrigará, porém, esta elite portuguesa a continuar a optar pela esperteza à custa da inteligência e da nação. A esperteza aconselhá-lo-á a fazer coligação com o CDS-PP para depois se poder rir dum centro direita sem espinha dorsal, a quem poderá dar alguns postos para assim contaminar o espírito conservador português!…
O PS sabe que o país votou esquerda e chega-lhe para poder fazer o que quiser. Fará acordos ad hoc com os partidos da esquerda desacreditando-os e responsabilizando-os também pelas incompetências dum Estado demasiado caduco para se poder erguer.
No próximo Domingo, haverá eleições para as autárquicas! Naturalmente que o povo continuará a fazer o que aprendeu: jogar às eleições. Será que quem nasce torto não terá hipótese de se endireitar? Porque não deixamos de ser um país de ilusão, de desiludidos e de invejosos?
Portugal sofre altamente de esquerdismo. Ele precisa das duas pernas; da esquerda e da direita, de ambas fortes! Portugal não pode continuar como até aqui! No tempo de guerra não se limpam armas! Portugal tem uma grande cultura e um grande povo com imensas potencialidades adormecidas. Diz-se que Portugal não tem tiros para melros!… Um povo que lá fora enriquece outros povos não pode continuar a suportar chicos espertos e cucos. En casa também se podem fazer milagres! Para isso pressupõe-se a distinção entre politiquice e política.
António da Cunha Duarte Justo
antoniocunhajusto@googlemail.com
http://antonio-justo.blogspot.com
14-10-2009








Até escreve bem, mas com algumas ideias que não entendo bem.
“Se Portugal durante o Estado Novo se encontrava torto à direita, com o 25 de Abril tornou-se torto à esquerda! Um país que obriga o povo a safar-se pela esperteza e não pela inteligência só poderá produzir governantes espertos! A esperteza vive do provisório, sempre sem tempo para viver mas para se safar.”
Portugal é um país de desenrasca porque as pessoas preferem estar sentadas até à ultima para ter soluções para a sua vida. Não agem, não planeiam, apenas desenrascam. Com um Governo corajoso para tomar medidas capazes, o mais fácil é criticar, em vez de suar para ter uma vida melhor. É melhor sair de casa, direito ao café e falar mal do presidente, do que sair de casa e ir trabalhar. Bem sei que o Governo comete falhas, algumas delas sem qualquer justificação, mas o mal não está no Governo, está no comodismo nos portugueses.
Não se pode ter uma visão de direita para criticar a esquerda, nem de esquerda para criticar a direita. Se as nossas pernas não caminharem no mesmo sentido, que adianta termos duas pernas fortes? Com uma é melhor, e o apoio para caminhar direito será a população, capaz de lutar!
Com tantas críticas, também se poderia substituir a outra perna, mas sendo críticas com direito a ir para o lixo, não temos grande alternativa em andar tortos. A crítica portuguesa está longe do suporte em que se deve basear: apoio e construção! Tal como eu não concordei consigo e apresentei os meus argumentos, o povo português em geral e a oposição no Governo em particular, terá de criticar por forma a visar um objectivo proveitoso para o país e não para o seu partido, ou seja, falar do partido lider do Governo e de preferência coloca-lo fora do seu “poleiro”.
Não sou PS, nem PSD, nem esquerda, nem direita. Caminho por mim, sem loucuras ou fanatismos partidários. É preciso coragem para acordar e lutar pela vida. Será mais fácil sentar e esperar a hora certa para criticar o facto de eu não ter a vida que queria.
Ousem, lutem!
Sócrates é menos esquerda que a tradição do PS. Basta ver os casos com Manuel Alegre. O PS quase se confude com o PSD. O que era importante era criarem-se pactos de regime sobre determinados temas de forma a que não seja tudo mudado quando muda a cor politica. Concordo que “Os políticos só parecem conhecer-se e acreditarem em si mesmos”. A classe politica está descredebilizada e as pessoas deixam de ligar à politica. Cada um de nós deveria poder eleger o seu deputado e por outro lado deveria haver normas para minimizar o jogo de interesses criado pela politica local. A limitação da duração de mandatos já é um bom começo mas haverá muitos que procurarão manter-se mesmo que noutros cargos.
Para além da paixão e da razão, paixão herdada do salazarismo, pais de gente pobre e humilde mas acolhedora e de bom coração. A razão em Portugal não existe, porque continuamos iletrados e incultos. Pergunte aos eleitores o que é esquerda e direita, arrisco a dizer que mais de 50% não faz a minima ideia. Ser xico-esperto significa é ser idolatrado pela maioria da população. Este País não tem futuro…