
Como já vem sendo habitual desde tempos muito remotos, realizaram-se no passado dia 3 de Janeiro de 2010, as festividades de Santa Luzia, no lugar de Cristelo, freguesia da Branca, concelho de Albergaria-a-Velha. Estas festas também são conhecidas por Festas dos Reis.
Apesar do calendário litúrgico ter como dia desta santa o 13 de Dezembro, os habitantes do lugar só promovem as festividades no primeiro domingo a seguir ao dia 1 de Janeiro de cada ano. As cerimónias deste ano constaram de missa pelas 15 horas, presidida pelo novo pároco, padre Vasco Pedrinha, coadjuvado pelo diácono permanente Luís, seguida de procissão, cerca das 16 horas, acompanhada de muitos fiéis e que percorreu as ruas do lugar como habitualmente.
Animou a procissão a banda de música de Esgueira, tocando, a finalizar a sua actuação, algumas marchas do seu repertório, em frente da capela. Este lugar é um dos mais distantes da sede de freguesia, mas hoje já dispõe de bons acessos e uma malha urbana que contrasta de certo modo com o povoado castrejo pré-histórico (estação arqueológica) e medieval. Apesar disso mantém bem vivas as suas tradi-ções.
Leilão dos “olhos vivos”
Tal como no passado mantém-se bem viva esta tradição dos “olhos vivos”, muito arreigada no seio da população e dos crentes quer da freguesia quer doutras vizinhas, por isso as pessoas cumprem as promessas de sua devoção oferecendo frangos, pombas, coelhos, perus e chinos, que depois de terminadas as cerimónias religiosas são leiloados no pequeno adro da capela e cujo produto no passado revertia em favor da paróquia.
Capela de Santa Maria
Na Idade Média Alta existia neste lugar de Cristelo (povoado antigo) uma capela que antecedeu a de Santa Luzia e que se pensa poderá ter sido pertença do Mosteiro de Grijó, pois possuíam neste lugar vastas propriedades e um hospício. Essa capela era sob a evocação de Santa Maria e terá existido até ao século XV ou XVI, altura em que foi construída a de Santa Luzia.
Há uma história sobre isso mesmo, de acordo com aquilo que relatou ao Litoral Centro um habitante deste lugar.
Quando construíram a capela nova cá em cima, “a Santa Maria foi mudada para o novo templo, mas durante a noite fugia de novo para a sua velha capela, já sem portas nem janelas”. As pessoas até começaram a acreditar no sucedido, mas a certa altura, para tirarem as dúvidas, puseram-se à espreita e acabaram por descobrir que era um habitante desse lugar que a mudava de sítio.
Portanto, a capela de Santa Luzia foi construída na Idade Media Baixa, tal como o dá a entender na sua arquitectura exterior, nomea-damente no frontispício, no seu pequeno campanário e nas friestas.
A escultura é da Renascença Coimbrã cinzelada e entalhada, nas oficinas de João de Ruão e de Nicolau de Chanterene, provavelmente nos estaleiros de Ançã, concelho de Cantanhede, cujo calcárei liso e branco era bom para esse tipo de esculturas. Estes entalhadores franceses vieram para o nosso país no século XV.
18-01-10
Fonte: Litoral Centro





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