Lixos perigosos a céu aberto nas antigas instalações da Celulose do Caima
As antigas instalações da Companhia de Celulose do Caima, SA, mais tarde adquiridas pela papeleira Reficel, entretanto falida, estão transformadas num “monstro”. No perímetro da degradada e desactivada infra-estrutura estão lixos perigosos
Dentro do perímetro das instalações da antiga Companhia de Celulose do Caima, em plena floresta, junto à estrada que vem da zona de acesso da antiga empresa, na margem direita do rio Caima, para o lugar do Carvalhal, da freguesia de Ribeira de Fráguas, no concelho de Albergaria-a-Velha, já na margem esquerda do referido rio está um amontoado de lixos ou resíduos perigosos em sacos, com cerca de 50 quilogramas cada um, estando alguns deles já rebentados e envoltos em silvados.
A autoridade competente para actuar nestes casos é o Serviço de Protecção da Natureza e Ambiente da GNR de Águeda, cuja jurisdição se estende até esta zona, tendo já sido avisada desta situação. Segundo fontes anónimas, havia nesse local uma vedação com chapas de zinco que terão sido roubadas, abrindo deste modo o espaço e tornando-o ainda mais vulnerável e perigoso, visto que está mesmo junto a uma curva à entrada do referido lugar, onde uma criança ou outra pessoa qualquer pode ter acesso. Isto já é em plena zona florestal, tendo nesse mesmo local um caminho de terra batida que dá acesso às antigas instalações da fabricação de pasta para papel da referida celulose, entretanto já desactivadas.
Julga-se que esse espaço, tal como o que resta das instalações fabris, são pertença dos bancos credores da última empresa que adqui-riu a celulose – a Reficel – e que depois viria a falir. Por sua vez, a parte florestal foi adquirida pela Celbi, da Figueira da Foz, que entretanto foi adquirida pelo Grupo Altri, que é proprietário da Celulose do Caima – Fábrica de Constância – Sul.
Fábrica está um “monstro”
As instalações da antiga fábrica de celulose, fundada pela família anglo-sueca Bergvist, na pessoa do Eng.º químico Erik Daniel Bergvist, já falecido – que adquiriu os terrenos das antigas minas do Palhal e Carvalhal e afurou outra parte onde esteve prevista a construção de uma fábrica de fiação, sendo mais tarde preterida por uma celulose, dada a abundância da água do caudal do rio Caima e a existência de grandes áreas de floresta – são hoje um “monstro”.
Ao longo dos mais de cem anos de existência ficou assinalada por momentos particularmente importantes quer para a empresa, quer para a história da indústria do sector. A Caima foi, em Portugal, a pioneira na produção de pasta química e no mundo, a pioneira no fabrico de pasta de eucalipto branqueada.
A década de oitenta do século XX foi o período da “galinha dos ovos de oiro” para as celuloses, batendo recordes de facturação e de lucros a que a Caima não foi estranha. Por isso brindou os seus trabalhadores com mais dois meses para além do salário normal (comparticipação nos lucros), hábito que manteria durante alguns anos.
O colapso
Em meados do século XX viria a ser adquirida pela multinacional anglo-americana Hibstock Jhonson Breaks, através da compra de um lote de cerca de 500 acções na Bolsa de Londres, com alterações profundas e com a política dos milhões das “empresas sem rosto” o figurino mudou muito. Tida por alguns como uma empresa obsoleta foi-se moder-nizando e desenvolvendo em conjunto com a outra unidade do mesmo grupo que havia sido fundada em Constância – Sul, nos anos sessenta do século XX. Manteve-se de pé mais alguns anos acabando por encerrar em finais dos anos noventa do século XX.
A crise nos mercados internacionais de pasta, o aumento dos custos de produção, a redução do caudal do rio Caima e a falta de vontade em investir três milhões de contos em infra-estruturas anti-poluição, mas também a nova política da dita multinacional, em busca de mão-de–obra mais barata, ditaram o seu encerramento. A empresa, quando encerrou, teria mais de duas centenas de postos directos, mas indirectos seriam muito mais nas suas matas e nas dos seus fornecedores, negociantes ou produtores directos.
A aquisição pela Reficel
Com a aquisição destas instalações fabris por parte da Reficel, empresa de reciclagem de fibras de celulose liderada por um antigo quadro superior da Caima, a fábrica nunca chegaria a laborar. Sucederam-se algumas “picardias” e entraves por banda do Executivo municipal da altura e do Governo, mas mesmo assim acabariam por conseguir a licença de laboração.
Dificuldades financeiras, falta de mercado para a absorção do papel ou pasta reciclada precipitaram-na para a falência e encerramento definitivo, deixando muitas famílias no desemprego e traba-lhadores com salários em atraso. Todo o espólio e maquinaria foram vendidos em leilão a um sucateiro de Ovar, muito mediatizado recentemente – o Godinho.
Actualmente, são propriedade dos bancos credores, tanto o “monstro” dos edifícios em ruínas, espa-ços vandalizados, como o períme-tro ao seu redor envolto em matos e silvados, estando entregues ao seu destino. Qualquer dia já nem se pode ir à Fonte dos Moleiros!
É um lugar onde campeiam a bicharada, a droga e até a prostituição e se nada for feito a curto prazo pode-se transformar num “ninho” de delinquência. São poucas as pessoas que já se atrevem a deslocar até lá, mesmo durante o dia, porque o perigo está sempre à espreita.
13-01-2010
Foto: siret @ panoramio
Fonte: Litoral Centro








Eu também faço um apelo às entidades competentes que façam alguma coisa por esta fábrica que empregou centenas de pessoas e que matou a fome a muita gente na altura da 2ª guerra mundial. Seria de louvar se aparecesse algum investidor que quisesse dar vida a este espaço. Deve ser muito triste para aqueles que trabalharam lá muitos anos depararem-se actualmente com um cenário de autentica ruína. A minha família esteve muito ligada a esta fábrica, o meu avô materno transportou muita madeira de eucalipto no carro de bois para fazer pasta de papel enquanto que o outro trabalhou lá até aos 65 anos.
Este é um cenario deploravel. Estamos a perder uma grande fatia da historia da celulose que teima em dizer que foi em Cacia que se iniciou o ciclo da pasta branqueada em Portugal. Metade da fabrica foi destruida pelo sucateiro que até a chamine em alvenaria deitou abaixo para facilitar remoção de tudo o que era ferro, sem que niguém se preocupasse com isto. Esta fabrica agora destruida, teve uma historia de mais de 100 anos e não foi nem mais nem menos que a unica fabrica em Portugal a produzir pasta de eucalipto dando de comer a muitas familias do concelho de Albergaria-a-Velha e outros, ajudando desta forma a desenvolver a região particularmente Branca e Ribeira de Fraguas. Temos que olhar para este pedaço de historia e vê-lo como fonte de rendimento, qual não seria a autarquia que gostava de o ter. Um abraço para todos os que lá trabalharam e ainda estão junto de nós, porque foram voçês e todos os outros que cá já não estão, que construiram esta grande fabrica com o vosso suor e o vosso empenho, hoje seria impossivel tal feito. Todos os anos e sempre que posso vou lá, conheço muito bem as instalações e sei o perigo que correm as pessoas que lá vão. É muito estranho não haver da parte das autoridades competentes a preocupação de pelo menos alertar as pessoas com uma chamada de atenção para os perigos lá existentes. De quem será a responsabilidade se alguém morrer lá por acidente?
Escreveu bem o J.A., mas em matéria cultural as nossa autoridades autárquicas estão mais preocupadas actualmente em apoiar coisas como o Hallowin, como estiveram no passado em apoiar carnavais abrasileirados. Sobra sempre pouco para a verdadeira história do concelho. Umas fotos antigas e vamos andando…
A Maria C. tem alguma razão no que diz. Depois das aboboras temos agora as máscaras do mundo. A Casa da Juventude podia ter actividades lúdicas relacionadas com a história e tradições locais.
É só fantochada…experimentem perguntar na rua à nossa juventude quem foi por exemplo Napoleão Luis Ferreira Leão, em que ano foi inaugurada a igreja matriz, qual a importância histórica de Paus ou a que é que se chamava antigamente a Estrada Real a ver se alguém sabe…mas sobre o tal Hallowin dos americanos, ai isso sabem de certeza, é nessas prioridades que se gasta o nosso dinheiro…
É pena que isto aconteça, mas como o ditado popular o diz:” Vai tudo atrás do dono”, o que é de lamentar é realmente os químicos, ácidos e perigos de derrocada para quem se aventura na sua curiosidade. As autoridades deste triste país mesmo avisadas e alertadas nada faz, é um porreirismo de assombrar! quando acontecer uma desgraça ai sim vem tvi’s sic’s e muito mais mas até resta-nos assistir inpotentes à sua completa destruição, e espero que não provoque vítimas.
Li a mensagem do motoguzzi á qual deixo um comentário e não só para ele! Estive á poucos dias na zona para uma etapa fotográfica e o que penso é o seguinte, já que atrai tanta gente, fotografos principalmente porque não requalificar o que resta, vedar as zonas criticas no que toca ao perigo para quem visita as ruinas! Quanto ao que já li por aqui a principal causa a meua ver do encerramento foi mesmo a ganância.. bastava um investimento em equipamentos de reciclagem com vista á não poluição do rio e se calhar hoje ainda estariam mais de 100 postos de trabalho no activo… é como já foi dito e acrescento os nosso governo (LADRÃO) prefere investir em TGV´s para agradar aos espanhois e aeroportos que não vão servir para rigorosamente nada ao invez de investir nas empresas nacionais… a piada é que as condagens dão-lhe victoria… estamos ricos.. tesos e com fome… mas ricos….