Albergaria: Pena suspensa para construtor civil por abusar de deficiente

mulher_abusadaMariana, nome fictício, de 42 anos, sofre de graves deficiências psíquicas desde o dia em que nasceu. Tem surdez quase completa e mentalidade de uma criança. Nada disso impediu no entanto o vizinho, um construtor civil, de abusar dela repetidamente. O caso foi descoberto e o homem foi condenado a cinco anos de pena suspensa e a uma multa de 17,500 euros, em Março do ano passado.

O construtor civil, residente em Albergaria-a-Velha, não se conformou com a decisão e recorreu, mas a Relação de Coimbra decidiu manter a pena. “A ofendida não era capaz de entender o significado do acto sexual, não sabia o que era, se era algo bom ou não”, diz a Relação.

Os factos remontam a 2006, quando, em data não apurada, o construtor civil convidou Mariana a visitar a sua casa, onde morava com a esposa e um filho menor. Quando lá chegaram, o homem deitou-a numa passadeira e teve relações sexuais com ela. Os abusos repetiram-se num pinhal próximo da casa de Mariana, onde o homem a obrigou a sexo anal. Sem entender o que estava a acontecer, a mulher contou à mãe o que o vizinho tinha feito, que o denunciou à polícia.

Depoimento da ofendida foi credível

O recurso interposto pelo arguido baseava-se no facto de na decisão de primeira instância o tribunal ter considerado o depoimento da ofendida “por vezes confuso”. No entanto, a Relação não teve dúvidas quanto à credibilidade do relato de Mariana. “O depoimento da ofendida foi credível. Descreveu os factos dados como provados, embora o tenha feito numa linguagem muito própria, como se tratasse de uma criança”, dizem os magistrados no acórdão a que o CM teve acesso.

Os médicos que seguiram a ofendida dizem que a sua deficiência em nada prejudica a verdade. “A ofendida é perfeitamente capaz de depor em tribunal, uma vez que sabe o que é verdade e o que é mentira”, disse a perita em julgamento. A mesma testemunha afirmou que não é habito pessoas com doenças psíquicas mentirem.

Relação aumenta número de crimes

Em primeira instância o construtor civil foi condenado a cinco anos de pena suspensa por apenas um crime de abuso sexual de pessoa incapaz de resistência. No recurso, a Relação de Coimbra manteve a decisão. No entanto, os magistrados decidiram alterar o número de crimes. Em vez de um, o arguido é condenado a dois crimes de abuso sexual: um na sua casa e outro no pinhal.

“O arguido agiu de forma livre, consciente e com o propósito de satisfazer os seus instintos libidinosos e a vontade de dominar a liberdade de determinação sexual da ofendida”, dizem os magistrados.

A Relação diz ainda que o arguido sabia que um relacionamento sexual com a ofendida era “tirar proveito da sua incapacidade”.

Pormenores

Reforma: Devido às graves deficiências que tem, Mariana, está reformada desde os 19 anos.
Alemanha: O construtor civil, que não tem antecedentes criminais, trabalha actualmente na Alemanha.
Revistas: O arguido mostrou várias revistas pornográficas à vítima.
Preservativo: Mariana chegou a pensar que ia morrer por causa do arguido ter usado um preservativo.

01-03-2010
Fonte: Correio da Manhã

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3 Comentários

  1. T.S. diz:

    Ora cá está um caso que lamentavelmente a nossa justiça não deixa os progenitores fazerem justiça própria.

    O construtor civil que agora está na Alemanha, tem um filho menor. Verdade? E se alguém, deliberadamente, abusasse do seu filho, este gostaria? Ficaria contente?
    Pensaria COM CERTEZA duas ou três vezes antes de abusar de uma inocente. Porque se ela sofre de perturbações psíquicas, mais sofre ele que abusa de quem não sabe o que faz. E aqui digo, tenha vergonha e que a consciência e os remorsos não O deixem dormir o resto da vida.

  2. gps diz:

    Os fins não justificam os meios, pelo que não posso concordar com a frase “lamentavelmente a nossa justiça não deixa os progenitores fazerem justiça própria”.

  3. Olho Vivo diz:

    mais um que merecia ser podado,mas infelizmente,o dinheiro tudo paga.a quem anda a nadar nele,e, pobres das vitimas que caem nas garras dessas bestas sem nome,cujas marcas desses horrores,não mais são apagadas das suas mentes,situação que não ha dinheiro algum que pague,ou apague.

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