
Os 123 trabalhadores da Sebra – Indústria de Mobiliário de Madeira em Kit, empresa sedeada em Albergaria-a-Nova, freguesia da Branca, avançaram com um processo de rescisão dos contratos de trabalho face aos quatro meses de salários que têm em atraso.
No passado dia 22 de Março, última segunda-feira, da boca dos contestatários, em manifestação à porta da empresa, só se ouvia que a única coisa que queriam era que lhes fossem pagos os quatro meses de salários em atraso e a respectiva indemnização a que têm direito.
O montante estimado – segundo um deles – deve ascender a cerca de 400.000,00 euros. Alguns dos fornecedores da empresa a quem esta tem dívidas passaram por lá durante a manhã ou estiveram em contacto com os manifestantes que não largaram a entrada das instalações da empresa. Joaquim Augusto Dias, de Valongo, reclama uma dívida de 37.000,00 euros; Tavares e Quintas, de Lourosa, cerca de 130.000,00 euros; Madeiras de Saíde, da Moita – Anadia, cerca de 200.000,00 euros; Mavirel, de Aveiro, cerca de 500.000,00 em dívida de tintas e vernizes. Segundo os trabalhadores, a empresa não poderá resistir muito mais tempo.
Na manhã de segunda-feira houve uma reunião com algumas das chefias que estão ao serviço e o que transpareceu cá para fora foi que a entidade patronal tinha prometido pagar os quatro meses e apenas pagou um. Também se sabe que no dia 22 deveria ser o regresso ao trabalho depois de uma semana de férias de uma parte dos que ainda não pediram a rescisão do contrato, mas o que é certo é que “bateram com o nariz na porta”. Entretanto, segundo rumores, o regresso poderá ser esta semana.
No contacto recente com o administrador da empresa e patrão, José António, foi dito que na sexta-feira passada seria assinada uma escritura com o IAPMEI e que deveria ser concedida uma verba de 1.000.000,00 de euros. Também foi dito, quando questionado por um jornal diário, que a empresa “dava lucro, mas estava com problemas financeiros”. Cá fora especula-se muito, mas pouco se sabe acerca das movimentações da gerência, aventando-se a hipótese de diversas coisas, inclusivamente a abertura de uma firma em Angola, para onde terá sido canalizado algum equipamento. Mas isto não passa de mera especulação. A situação é má. Segundo os contestatários, a “luta” vai arrastar-se e depois ameaçam com recurso aos tribunais.
Matéria-prima já não é o pinho
Segundo os manifestantes, há tempos atrás, depois da empresa ter deixado de pagar aos fornecedores de toros de pinheiro, começaram a utilizar como matéria-prima para o mobiliário o MDF, mas também tábuas já serradas, só que neste momento não há quase nenhum material.
Mas alguns trabalhadores insinuam que ainda há encomendas. Portanto, segundo estes, se a empresa dá lucros e tem encomendas porque é que não paga aos trabalhadores? A situação de alguns, sobretudo dos casais, está-se a tornar muito complicada.
31-03-2010
Fonte: Litoral Centro





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