Soutelo: Família tinha negócio de segurança privada ilegal

segurUm grupo a operar a partir de Soutelo, Albergaria-a-Velha que controla várias empresas de segurança privada está a ser investigado porque, há vários anos, estará a operar ilegalmente, conseguindo angariar clientes em todo o País, incluindo de serviços públicos.

A PJ de Aveiro partiu para o terreno, confirmando que as empresas deste grupo de segurança não tinham alvará, pelo que não possuíam “as condições legalmente exigidas” para prestar esse serviço. Foram identificadas e constituídas arguidas três pessoas, duas delas ligadas à gerência. Trata-se de pai, mãe e filho, entre 20 e 40 anos. O casal está ligado a tempo inteiro à gerência das empresas.

Entre os requisitos em falta constam a exigência de cauções financeiras, plano de formação dos vigilantes contratados e garantias de fiscalização e controlo da actividade. O facto de as entidades contratantes privilegiarem, muitas vezes, apenas o preço, procurando os contratos mais baratos, terá levado a falhas de verificação da legalidade das empresas prestadoras. Está, para já, afastada, no caso do grupo investigado, eventual falsificação de documentos a provar a existência de alvará.

A fase mais recente das investigações, que motivou já buscas às instalações administrativas, no lugar de Soutelo (freguesia da Branca), bem como a uma residência desta localidade, culminou com a identificação dos três familiares, agora arguidos, “por suspeitas de exercício ilícito de segurança privada”, tendo informado o nosso jornal que “nesta altura não prestam declarações”. Entre os seus clientes, concentrados, sobretudo no Norte e Centro do País, constam privados mas também há várias entidades públicas, nomeadamente, câmaras municipais e outros que pela sua “sensibilidade” os investigadores preferem manter sob reserva.

“A actividade de segurança privada é mais delicada do que as pessoas possam pensar, pela responsabilidade do serviço em causa”, assume ao DN fonte da PJ de Aveiro. A empresária identificada estará ligada ao ramo da segurança privada, desde 1996, participando em várias sociedades criadas desde então, a última das quais há dois anos, ao que tudo indica, com o marido, chegando a contratar dezenas de vigilantes.

Para contornar as dificuldades criadas pela investigação policial, ultimamente, os arguidos terão optado por representar outra empresa de segurança, que estará legal, cobrando uma comissão por clientes angariados. As buscas às instalações onde funcionam as firmas e à residência dos suspeitos permitiram aos investigadores a apreensão de diversos objectos, incluindo réplicas “de qualidade” de várias armas, entre as quais figuram espingardas de assalto, bem como fardamento e emblemas (crachás).

Os inspectores trouxeram ainda documentos que, refere o comunicado do Departamento de Investigação Criminal de Aveiro, suportam as relações contratuais “em algumas casos a nível nacional, de prestação de serviços de segurança”. As investigações vão agora prosseguir “no sentido de identificar as situações e envolvidos nos factos ilícitos”, acrescenta a PJ, que pretende ainda apurar, por exemplo, o grau de cumplicidade de funcionários vigilantes.

27-06-2010
Fonte: Diário de Notícias

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