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Produtores florestais perdem rendimento de cinco anos e criticam Governo

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A produção ardida passa a ter valor de lenha e os encargos das explorações sobem, atendendo à necessidade de proceder ao corte e proceder a novas plantações.

“Assustador”. É este o sentimento na maior associação de produtores e empresários florestais com a vaga de incêndios, temendo-se o regresso do País “ao ciclo” dos 100 mil hectares atingidos.  A não entrega de de verbas destinadas ao sector motiva críticas. António Loureiro, director da Unimadeiras, com sede em Albergaria-a-Velha, distrito de Aveiro, perspectiva, desde já, dias negros para muitos dos mais de 600 sócios agrupados.

As estatísticas conhecidas, ainda com o Verão para durar, que estimam em 70 mil hectares destruídos, lançaram o sector em sobressalto. “Quando a soma da área ardida já é superior aos últimos dois anos e mais do que nos últimos três anos, torna-se assustador o País continuar assim”, lamenta o gestor .
A Unimadeiras tem mais de 15.000 hectares de área florestal própria que rendem anualmente, em média, 40 milhões de euros, dando emprego a mais de 2000 pessoas. “Para se ter uma ideia da gravidade dos fogos na economia da floresta” , ilustra António Loureiro, o custo implícito no ano 2005-06 é superior aos encargos com a construção dos estádios que serviram de palco ao Euro 2004.

Já o valor dos custos dos incêndios nos últimos dez anos daria para um quarto do valor da construção do TGV.
Os valores de referência consensuais no sector apontam para encargos de 2.500 euros por hectar de pinheiro ardido e 1.500 de eucalitpto e sobreiro.

Verbas não chegam

Para o director-geral da Unimadeiras, “tem havido uma falha grande” do Governo em canalizar verbas que poderiam dinamizar a actividade preventiva dos incêndios. O Programa de Desenvolvimento Rural (PRODER) “está completamente parado, desde o último quadro comunitário”. A tutela é acusada de não fazer “qualquer tipo de utilização de verbas que poderiam ser o principal meio de combate aos incêndios”.

Municípios, proprietários e empresários florestais ficaram, alegadamente, “sem dinheiro para investir na floresta, com acções de silvicultura preventiva”. Com a agravante, de acima do Mondego não abundarem propriedades com as áreas suficientes, ou seja mais de 25 hectares.  Estranheza idêntica é causada pela gestão do Fundo Florestal Permanente (FFP) que arreacada à volta de 30 milhões de euros por ano pela cobrança da taxa de dois cêntimos por litro de combustível vendido no País.

Nos últimos cinco anos, terão sido angariados 150 milhões “mas até à data”, garante António Loureiro, “não foi plantada uma árvore”. A verba em causa daria para limpar cerca de 200 mil hectares, criar 10 mil postos de trabalho com receitas fiscais para o Estado de 37 milhões de euros. “Há aqui fundos que não estão a ser aplicados na floresta para mal de todos nós”, refere o gestor da Unimadeiras.

Vida complicada

A vida dos proprietários florestais “vai ser complicada no curto e médio prazo” pelo encargos dos fogos. Um ciclo normal de crescimento” foi anulado com os fogos, causando “o declínio de oferta de matéria-prima”. A indústria do pinho importa já 30% por falta de oferta de matéria prima nacional. No eucalipto andará nos 10%. Antecipar-se o crescimento normal “resulta em madeiras de inferior qualidade, sem rendimento industrial”. Com menos de cinco anos, a produção “só serve para lenhas e não tem aproveitamento para celulose”.

Recomeçar das cinzas

Para muitos resta recomeçar do zero quando reinava a confiança. Existia um sentimento de aumento do preço da matéria-prima, porque os stocks da indústria estavam baixos e os preços da pasta andaram acima dos 700 euros por tonelada. “Agora vamos estar com excesso de oferta e não há possibilidades de apelar à subida de preços”, explica António Loureiro.
A indústria vai importar mais madeira, que faltará no mercado nacional.  Além disso, os fogos, que são essencialmente em zona de pinheiro, aumentam a área de eucalipto. Quando é feita a reconversão, ninguém esquece que a pasta “tem maior rendimento e retorno mais rápido”.

17-08-2010
Fonte: Notícias de Aveiro

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