
“As coisas como estão, não estão bem feitas”. A acusação é feita por João Paulo Pedrosa, presidente da Direcção do Núcleo de Aveiro da Quercus, enquanto olha para as margens do Rio Vouga, que estão a ser alvo de uma intervenção de limpeza pela Polis Litoral Ria de Aveiro e pela ARH do Centro, em Angeja. A destruição das galerias ripícolas – vegetação que acompanha os rios – é a principal queixa da associação. Mas as duas entidades responsáveis pela intervenção afirmam que as margens do rio irão ficar melhoradas.
“Quando se tiram as árvores há erosão das margens. E achamos que se houver uma cheia, não existindo as árvores para cortar a corrente, as margens do rio ficam destruídas. Além disso, os próprios estradões que acompanham o rio podem rebentar”, diz ao Diário de Aveiro Paulo Almeida, um dos membros da direcção do Núcleo de Aveiro da Quercus.
Onde antes era visível uma densa vegetação, agora vêem-se espaços livres, com apenas algumas árvores, espaçadas entre si. “Isto não é normal, pois nenhum rio naturalmente é assim”, explica João Paulo Pedrosa. Segundo os membros da associação, as árvores que foram retiradas pertencem às espécies dos salgueiros, freixos, amieiros, carvalhos e das acácias.
E é, também, em relação a esta última espécie, a acácia, que surge outro problema para a Quercus. “Deixaram acácias, que são uma espécie invasora, e, por outro lado, cortaram as árvores da nossa flora. Foi feita uma intervenção abusiva”, sublinha o presidente, referindo-se a toda a desflorestação que foi feita nos rios Vouga e Águeda, numa extensão total de cerca de 15 quilómetros.
17-12-2011
Fonte: Diário de Aveiro





0 comentários
Escreva o seu comentário