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Forais e Carta de Couto (II) Forais e Carta de Couto (II)(0)

CARTA DE COUTO DE OSSELOA – 1117

A Carta de Couto de Osseloa foi concedida pela infanta rainha D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques, em 1117, a um rico proprietário da terra do Vouga, Gonçalo Eriz. É nesta época que podemos encontrar as raízes de Albergaria-a-Velha, pois foi através deste documento que ficou estabelecida a criação de uma albergaria para prestar apoio aos viajantes.

Com a concessão de um couto sobre a terra, o senhorio territorial de Gonçalo Eriz passou também a ser um senhorio jurisdicional, reforçando a autoridade do fidalgo e conferindo-lhe direitos e deveres específicos. Entre os primeiros, podemos salientar o direito de caça que obrigava os monteiros a doar partes dos animais caçados; quanto aos deveres, no século XII era prática corrente os proprietários estarem sujeitos a obrigações militares, acompanhando o monarca sempre que ele o solicitava.

Mas nem só o senhor do couto passou a ter mais privilégios com este documento. O albergueiro nomeado ficava sob a protecção da rainha, era isento do pagamento de qualquer foro ou coima e tinha livre passagem em qualquer parte do território. Isto só vem confirmar que a albergaria era um projecto muito especial para D. Teresa, tendo favorecido o aparecimento de um núcleo populacional estável, claramente referido já no século XIII

18-03-2011
Fonte: Blog de Albergaria

Forais e Carta de Couto (I) Forais e Carta de Couto (I)(0)

Os forais eram cartas de instituição ou de reconhecimento dos concelhos e foram, durante largos séculos, principalmente os da Idade Média, instrumentos fundamentais na orientação da vida municipal.

Albergaria não teve Carta de Foral. Sendo terra doada a coroa não exercia direitos sobre ela.

FORAL DE ANGEJA – 1514

Em 15 de Agosto de 1514, o Rei D. Manuel I fez passar carta de foral à terra de Angeja e aos outros lugares seus anexos, de que tinha concedido os respectivos direitos, em 1509, a Diogo Moniz, filho do seu guarda-mor, Jorge Moniz, recentemente falecido.

O Foral de Angeja trata das seguintes terras: Assequins, Bemposta, Branca, Canelas, Casais de Grijó, Casais do Ribeiro, Contumil, Devesa, Fermelã, Figueiredo, Fonte Chã, Pinheiro (S. João de Loure), Salreu e Santiães.

A edição em livro conta com uma nota introdutória, o Foral de Angeja em fotografia, a transcrição do Foral Manuelino de Angeja, a Reclamação sobre o Foral de Angeja em fotografia, a transcrição da Reclamação, glossário e bibliografia.

A obra foi transcrita por Maria Alegria Marques, professora da Universidade de Coimbra, com 136 páginas e uma tiragem de mil exemplares numerados.

A cerimónia de apresentação da obra realizou-se no dia 5/08/2005 na Igreja Matriz de Angeja.

FORAL DE FROSSOS – 1514

O Foral da Vila de Frossos foi concedido por D. Manuel I em 22 de Março de 1514.

No foral, cujo original foi conservado ao longo dos anos pelas gentes de Frossos, encontram-se expressos alguns benefícios e privilégios de que a Ordem de Malta (a essa data Ordem dos Cavaleiros de Rodes) era titular.

“A presença da Ordem de Malta em Frossos remonta ao tempo da primeira sede desta Ordem Militar e Religiosa em Portugal e, também assim, ao tempo em que, conquistada mais uma “parcela” daquele que viria a ser o Portugal que hoje conhecemos, se tornava necessário defender e povoar a mesma. O rio Vouga constitui uma das primeiras linhas naturais de defesa, o limite de uma das primeiras “parcelas” de território que interessava defender e povoar”.

Frossos revelou-se como uma das comendas estrategicamente melhor posicionadas para cumprir o desiderato da defesa na conquista do território português.

O Concelho de Frossos foi extinto em 1836, por integração no concelho de Angeja, passando depois ao concelho de Albergaria-a-Velha, em 1853.

O Dr. António Capão publicou, em 1984, o livro “Carta de Foral da Vila de Frossos”.

FORAL DE PAUS – 1516

Atribuído em 1516 pelo Rei D. Manuel como forma de limitar as opressões que a Nobreza e o Clero exerciam sobre os povos das terras onde detinham senhorios.

“Foral de Paus-1516”, editado pela Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha, é uma obra de luxo, em facsimile, encadernada, numa edição limitada e numerada de 1.000 exemplares. Inclui a fotografia do Foral de Paus, a sua transcrição, a apresentação do contexto histórico e político da época em que foi atribuído e um glossário.

A obra foi transcrita por Maria Alegria Marques, professora da Universidade de Coimbra.A cerimónia de apresentação da obra realizou-se, no dia 20 de Maio de 2006, na Capela de Nossa Senhora das Dores.

O original está na posse do Paço Ducal de Vila Viçosa que o adquiriu, em leilão, em Dezembro de 1983.

17-03-2011
Fonte: Blog de Albergaria

Antigos Hospitais de Albergaria-a-Velha Antigos Hospitais de Albergaria-a-Velha(0)

1938-1953

Extinto em 1834 o secular Hospital, criado a partir do Couto de Osseloa, a vila e o Concelho aguardaram um século pela construção e inauguração de um outro.

A 8 de Maio de 1923 foram aprovados os Estatutos da Misericórdia de Albergaria-a-Velha e na acta da primeira reunião vem “o mais expressivo reconhecimento e gratidão ao finado João Patrício Alvares Ferreira” que fora o iniciador da ideia e havia falecido pouco antes, inesperadamente. Ele e a família, por sua iniciativa, haviam contribuído com a quinta, onde se instalou, e avultada verba.

O hospital, situado ao fundo da maior avenida, pouco depois construída na vila, só abriu, após inúmeras dificuldades pecuniárias, em 6 de Janeiro de 1938, com três médicos e quatro irmãs freiras. Toda a obra se devera ao Provedor e então Presidente da Câmara, Dr. Bernardino de Albuquerque.

1953-1997

Em 3 de Maio de 1953, foi inaugurado um novo Hospital, no Local do anterior que se demoliu. Ficou a dever-se á iniciativa de Augusto Martins Pereira, o grande industrial e benemérito, o qual com a ajuda dos trabalhadores das “Fabricas Alba” e subsídios estatais o pôs a funcionar e a Misericórdia o manteve até ao ano de 1975.

Com a construção de um novo edifício na Avenida 25 de Abril, os serviços de saúde (SAP) transferiram-se para este local em Março de 1997, encerrando-se definitivamente as instalações anteriores.

Com esta transferência de serviços, a ala sul do edifício antigo foi totalmente remodelada e anexada como prolongamento do lar da 3º idade. A ala norte está, nesta data, a ser alvo de profundas modificações no sentido de adaptação do edifício para novas realidades e novos desafios.

Actual SAP (1997 – …)

Fonte: Blog de Albergaria

Autores Albergarienses: Delfim Bismarck Álvares Ferreira Autores Albergarienses: Delfim Bismarck Álvares Ferreira(2)

Delfim dos Santos Bismarck Álvares Ferreira (Albergaria-a-Velha, 1970) é mestre em História da Idade Média, na especialização de História Económica, Social e Cultural (FL-UC), licenciado em História, variante de História da Arte (FCSH-UNL), pós-graduado em História e Património Local (ISCIA) e diplomado em Genealogia e Heráldica (IPH e UML).

Conservador da Casa-Museu Marieta Solheiro Madureira, em Estarreja, desde 1997, foi presidente da ADERAV – Associação para o Estudo e Defesa do Património Natural e Cultural da Região de Aveiro (2001-2005) e presidente do Instituto de Genealogia e Heráldica da Universidade Lusófona do Porto (2006-2010), onde dirige como editor a Colecção Lusófona de Genealogia e Heráldica.

É director fundador das revistas Patrimónios (2001), Revista Lusófona de Genealogia e Heráldica (2006) e Terras de Antuã (2007), para além de:

- Membro da Sociedade Portuguesa de Estudos Medievais, da Associação Portuguesa de Genealogia, do Instituto de Genealogia e Heráldica da Universidade Lusófona do Porto e do Centro Lusíada de Estudos Genealógicos e Heráldicos.
- Colaborador na imprensa regional, desde 1994, com mais de uma centena de artigos sobre História, Património e Actualidade.
- Membro da Comissão Executiva das Comemorações do 250.º aniversário da elevação de Aveiro a Cidade (2009);
- Membro da Comissão Municipal de Distinções Honoríficas da Câmara Municipal de Aveiro, (2009-2010);
- Membro da Comissão Municipal de Toponímia da Câmara Municipal de Aveiro, (2006-2010);
- Membro da Comissão Consultiva do Património Edificado da Câmara Municipal de Aveiro, (2001-2008);
- Deputado da Assembleia Municipal de Albergaria-a-Velha, (1993-1997, 2009-…);
- Deputado da Assembleia da Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro (2010-…);
- Presidente da Assembleia Geral da ADERAV – Associação de Defesa do Património Natural e Cultural da Região de Aveiro, (2007-…);
- Presidente da Assembleia Geral da Real Associação de Aveiro, (2003-…);
- Vice-Presidente da Assembleia Geral da Associação dos Bombeiros Voluntários de Albergaria-a-Velha, (2001-…);
- Presidente Fundador do Leo Clube de Albergaria-a-Velha (Lions International), (1988-1990);
- Vencedor do Prémio “Descobre a Tua Terra”, organizado pela Comissão Nacional dos Descobrimentos Portugueses, 1990;
- Docente na Universidade Moderna do Porto (1997-1998), Universidade Lusófona do Porto (2006-2007) e no Detmar – Departamento de Tecnologias do Mar, do Instituto Superior de Ciências da Informação e da Administração (2009-…).

É autor de diversos estudos sobre a região de Aveiro, com destaque para:

• Avanca e os seus autarcas – na Primeira e Segunda Repúblicas (1910-1974), 2011 (co-autoria);
• O Castelo e Palacete da Boa Vista, em Albergaria-a-Velha, 2010;
• Albergaria-a-Velha 1910 – da Monarquia à República, 2010 (co-autoria);
• Ponte da Varela – Reabilitação e Alargamento, 2010 (co-autoria);
• Avanca e os seus autarcas – até à implantação da República (1836-1910), 2010 (co-autoria);
• O Brasão de Armas de Aveiro, 2009;
• Casa dos Morgados de Santo António da Praça, em Estarreja, 2009.
• História de Aveiro – Sínteses e Perspectivas, (co-coordenação), 2009;
• Christiano Vicente Leal – pintor retratista e fotógrafo (1848-1911), 2009;
• O Combate de Albergaria – a região de Albergaria-a-Velha e Estarreja durante as Invasões Francesas de 1809 (co-autoria), 2009;
• Estarreja, Cidade-Município, (co-coordenação), 2009;
• A Terra de Vouga nos séculos IX a XIV – Território e Nobreza, 2008;
• A inédita Carta de Brasão de Armas de Gaspar Pessoa Tavares de Amorim, 2008;
• Estarreja na Idade Média – documentação dos séculos X a XIII, 2008;
• Ramsay – uma família escocesa em Aveiro no século XVII, 2008;
• Os Regedores das freguesias do concelho de Estarreja, 2007;
• O Colégio Portuense – um estabelecimento de ensino modelo no final do século XIX – Fundação, primeiros docentes e alunos, 2006;
• As Pontes de São João de Loure (1896-2006), 2006;
• A Carta de Couto de Osseloa (1117) (co-autoria), 2005;
• Valmaior ao longo dos séculos, 2005;
• Percurso de Salreu – Guia de Campo (co-autoria), 2005;
• A Fábrica de Papel de Valle Maior (1872-1999), 2004;
• Moinhos do Concelho de Albergaria-a-Velha (co-autoria), 2003;
• Um inédito manuscrito genealógico do século XVIII da autoria do Dr. António Mourão da Rocha Botelho e Magalhães, 2003;
• Moinhos da Freirôa – uns dos seculares moinhos no Rio Caima no concelho de Albergaria-a-Velha (co-autoria), 2003;
• Pedras de Armas no Concelho de Albergaria-a-Velha, 2001;
• Associação dos Bombeiros Voluntários de Albergaria-a-Velha – Subsídios para a sua História, 2000;
• Casa e Capela de Santo António em Albergaria-a-Velha – Genealogia, História e Arte, 1999;
• Albergaria-a-Velha – Imagens do Passado, 1994;

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O futebol em Albergaria-a-Velha e o Sport Clube Alba O futebol em Albergaria-a-Velha e o Sport Clube Alba(2)

A necessidade sentida pelos jovens de Albergaria-a-Velha, levou a que no início de Março de 1910 aqui fosse criado o primeiro clube do nosso concelho, dedicado ao futebol, o SPORT CLUB ALBERGARIENSE.

Para esse fim, um grupo de jovens organizou um “match” no largo da Feira Nova (situado fora da vila, um pouco a Norte do actual Colégio de Albergaria, junto da Estrada Nacional n.º 1 (Lisboa-Porto)), inscrevendo os seguintes “foot-ballistas” locais: Manuel João da Silva, Columbano Machado, Francisco de Miranda Ferreira da Silva, Américo Marques Pereira, Augusto Ferreira da Silva, José Augusto Machado, Francisco Gil de Lemos, António Geraldo, Albérico Henriques Ribeiro e José Pires de Freitas. Mas pouco tempo de vida teve esta efémera colectividade, passando quase uma década até que voltasse a existir um clube desportivo em Albergaria-a-Velha.

Apenas no final de 1923 o futebol viria a entrar com entusiasmo em Albergaria-a-Velha, altura em que começou a ser devidamente estruturado o ALBERGARIA SPORT CLUB, que em Fevereiro de 1924 viria a eleger os seus corpos gerentes. Este clube, cujos atletas, vestiam calção preto e camisola branca, passou depois a designar-se, por volta de 1930, SPORTING CLUBE DE ALBERGARIA. Pouco tempo depois, e rivalizando com este, surgiu o ARREGAÇA FOOT-BALL CLUB, equipado à Futebol Clube do Porto, o qual em 1934, pouco antes da sua extinção, passou a chamar-se FOOT-BALL CLUB DE ALBERGARIA. Também por esta época e até ao final da década de 30, surgiu o efémero SANTA CRUZ FOOT-BALL CLUB.

De todos estes clubes, aquele que ainda perdurou por alguns anos foi Sporting Club de Albergaria que, por falta de apoios, viria a dissolver-se apenas em 1938, numa altura em que já germinava a ideia de ser criada uma equipa de futebol associada às fábricas Alba. Para esse fim, desde 1934 que fora efectuada uma subscrição para transformar a “Quinta das Laranjeiras”, na Cavada Nova, num campo desportivo.

No seguimento desses acontecimentos, foi fundado no dia 1 de Janeiro de 1941, sob a égide das Fábricas Metalúrgicas Alba, uma associação desportiva com a designação de ALBA SPORT CLUB, tendo como fundadores: Augusto Martins Pereira, Américo Martins Pereira, Evaristo Gomes Ferreira, Fausto Vidal, Viriato da Costa Vidal, Horácio Ferreira Geraldo (o único ainda vivo), Alberto Lemos Pinto, Sertório de Andrade Costa, Hernâni Lemos Limas, João Ferreira Pinto e Álvaro Faca. O objectivo era criar um clube de futebol, tendo para o efeito sido inscrito na Associação de Futebol de Aveiro, pois só então poderia participar nos campeonatos organizadas por aquela associação. O primeiro jogo oficial realizou-se no dia 19 de Outubro de 1941.

Em 1945, e por determinação da Direcção Geral dos Desportos, o nome do clube passou a ter a designação de SPORT CLUB DE ALBA, e com esta identificação participou ao longo dos anos em diversos campeonatos distritais e nacionais de futebol, com apenas um interregno de 1951 a 1959, tendo desde então participado ininterruptamente nestas provas desportivas, destacando-se o período que vai da época 1969/70, em que oscilou sempre entre a 2.ª e a 3.ª divisões nacionais, aí se mantendo até à época de 1981/82, altura em que desceu aos distritais.

Na época de 1984/85 regressou à 3.ª divisão nacional onde permaneceria por alguns anos, de forma quase ininterrupta (com excepção para a temporada de 1986/87), até à época de 1993/94, altura em que “mergulhou” nos campeonatos distritais de Aveiro e onde se mantido nos últimos anos.

No início da década de 90, o clube esteve próximo da sua extinção, passando então por uma grave crise, ao ponto de ter sido ponderada a extinção do clube ou a criação de um novo, o que levou a que a Assembleia Geral do clube, em Outubro de 1994, tenha chegado a deliberar alterar o nome do clube para Sport Clube de Albergaria, deliberando igualmente não cumprir de imediato esta resolução para não complicar a manutenção da equipa na 1.ª Divisão Distrital da Associação de Futebol de Aveiro. Nessa altura, chegou inclusive a ser criado um novo emblema para o clube. Apesar de larga polémica, acabaria por ser optado, por questões legais, pela alteração da designação oficial do clube para SPORT CLUBE ALBA, nome que ainda hoje mantém.

Em 27 de Maio de 1995, a Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha agraciou o Sport Clube Alba com a Medalha de Mérito Municipal (grau cobre), reconhecendo, assim, publicamente, o mérito desta associação.

Sem qualquer desprimor para outras colectividades que, pontualmente, tenham inscrito equipas do concelho de Albergaria-a-Velha em campeonatos nacionais e/ou distritais de futebol, o nosso reconhecimento vai hoje inteiramente para o Sport Clube Alba.

Esse reconhecimento e essas felicitações devem-se a diversos factores, o primeiro dos quais pelos seus excelentes resultados e pela sua ascensão à 3.ª Divisão do Campeonato Nacional de Futebol, facto que não acontecia há cerca de 16 anos. Mas também pelo que este clube fez pelo desporto no concelho de Albergaria-a-Velha desde 1941, no Futebol, no Basquetebol, no Hóquei em Patins, Ténis de Mesa, Voleibol, Columbofilia, Pesca Desportiva, entre outros, possibilitando a gerações sucessivas de jovens albergarienses uma pratica desportiva saudável, servindo inclusive para que muitos singrassem no futebol e chegassem aos principais clubes nacionais. Mas, o mais importante, é o elevado número de crianças que praticam futebol nas camadas mais jovens do Alba.

Mas tudo se deve a dirigentes, funcionários, treinadores, jogadores, associados, patrocinadores e público em geral que, ao longo de cerca de 60 anos (e faltam poucos meses para os completar), apoiaram o clube do seu concelho, contribuindo, assim, para fortalecer um verdadeiro espírito de comunidade.

Representando e liderando todas essas centenas ou milhares de pessoas, estiveram os presidentes da Direcção do ALBA que, ao longo dos anos lideraram todo esse processo. Para eles, parabéns e o nosso muito obrigado!

1941-1959 – Augusto Martins Pereira
1959-1976 – António Augusto de Lemos Martins Pereira
1976-1980 – Lutero Letra da Costa
1980-1981 – Mário Vidal da Silva
1981-1984 – António Rodrigues Parente
1984-1987 – João António Ferreira Resende Alves
1987-1989 – Rui Arvins Pereira Pinto
1989-1991 – Lutero Letra da Costa
1991-1992 – Fernando Pereira Pinto
1992 – Comissão administrativa: António Augusto de Lemos Martins Pereira, Mário Vidal, Fausto Meireles, Manuel Neves, Abel Vidal da Costa e Manuel Miranda Pires
1992-1995 – Manuel Henrique da Conceição Neves
1995-2001 – Abílio Almeida Costa
2001-2007 – Maria da Conceição Araújo Martins
2007-2010 – José Carlos Estrela Coelho

29-06-2010
Texto: Dr. Delfim Bismark

Albergaria-a-Velha e a sua Gastronomia Albergaria-a-Velha e a sua Gastronomia(3)

A gastronomia é hoje um dos principais motivos de atracção turística de qualquer região. Para além disso, é também uma importante componente do turismo que, como é sabido, é o responsável por uma fatia substancial do PIB do nosso país, transformado, cada vez mais, num país de serviços, aproveitando a sua localização e clima.

Desde há alguns anos, a gastronomia é igualmente considerada “Património”, a classificar, a estudar, a preservar e divulgar, inclusive a certificar, como aconteceu recentemente com os Ovos Moles de Aveiro.

Apesar das instituições que têm obrigação de o fazer pouco ou nada terem feito, não se pense que o concelho de Albergaria-a-Velha não possui nada de relevante que não mereça ser preservado, estudado e salvaguardado, seja na área do património arqueológico, edificado, cultural ou mesmo gastronómico.

É precisamente sobre este último que aqui vos falarei hoje. Das suas qualidades e tradições, assim como das suas potencialidades e subaproveitamento para os mais diversos fins como o têm feito, e bem, grande parte dos concelhos nossos vizinhos.

Senão vejamos. Quem nunca provou e confirmou a excelente qualidade de alguma da gastronomia tradicional do nosso concelho? Quem nunca provou enguias fritas ou de escabeche, leitão assado, lampreias em arroz ou à bordalesa, peixinhos do rio fritos, ou vitela assada? Quem nunca provou pães ou padas, regueifas, pães doces, folares, broas, ou biscoitos diversos como, raivas, rosquilhas, bolos de gema ou turcos? Já para não falar em rabanadas e bilharacos?
Enfim, após esta pequena apresentação, afinal todos nós nos lembramos de que temos gastronomia diversificada e de grande qualidade.

Mas para além disso, esta não é uma gastronomia de hoje, sem raízes nem tradições, aproveitada e adaptada de outras terras ou regiões.

Na muita documentação que tenho consultado ao longo dos anos, pontualmente vou encontrando pequenas referências à nossa gastronomia. Por isso, aqui destacarei hoje o pão, o leitão e os biscoitos.
Primeiro o pão. Segundo um apontamento datado de 1882: os “bolos de pão alvo … da casa da Ti Quitéria do Agostinho, ou ainda da Ti Costa …. As duas boas creaturas indicadas … exerciam a vida de padeiras com o maior aperfeiçoamento e aceitação dos consumidores ainda de muito longe. A primeira fabricava pão para o ultimo Bispo de Aveiro, D. Manuel Pacheco de Rezende – tres vezes por semana era o Paço Episcopal fornecido; e ambas a seu turno o Convento de Serém. Muitas terras há que possuem especialidades a certo ramo da industria. Albergaria Velha dedica-se ao fabrico de pão, e é da sua labra o feitio dos pães emitando pujadas têtas, … sem se vêr igual em outra parte, a não ser por emitação”. Por aqui facilmente se vê como o pão confeccionado em Albergaria-a-Velha era afamado na região, e que outros aqui vinham consumir e imitar as nossas produções.

Depois o leitão. Um outro apontamento do final do século XIX informa-nos de que “entre os bons assadores de leitão, que é das melhores iguarias que em Albergaria se prepara, há o costume de o trazerem uma ou outra vez a arejar, depois de meio assado, para o constiparem, dizem. A pele assim torna-se mais quebradiça e a carne tenra e enxuta. A expressão “leitoeiro” utilizava-se quando se referiam a um apreciador de leitão”. Também esta pequena nota nos demonstra como era já tradição o leitão assado no nosso concelho, e como era já umas das principais iguarias que aqui se preparava.

Por fim, os biscoitos. Nesta matéria, existia em Albergaria-a-Velha desde o final do século XIX uma pequena fábrica de bolachas e biscoitos que atingiu grande fama na região, a “Loja Nova”, situada na Rua de Santo António, fundada por Joaquim Ribeiro e Silva.

Os seus produtos, de grande qualidade, eram equiparados aos melhores de Coimbra e Porto, e por esse motivo eram expedidos para todo o país. Mesmo depois do proprietário ter transferido residência para o Porto, os seus familiares aqui mantiveram a sua produção de escala mais regional por mais alguns anos. De entre os seus produtos, os mais procurados eram os biscoitos, raivas e folares da Páscoa.  A tradição de confeccionar este género de produtos conseguiu manter-se viva ao longo dos anos, graças inicialmente à “Casa Turco” e actualmente a D. Margarida Ferreira, herdeira das receitas destes afamados doces regionais.

Por estas três amostras bem se antevêem as potencialidades da gastronomia do nosso concelho. Mas, se tudo isto não bastasse, ainda assistimos, impávidos e serenos, ao aproveitamento, e bem, com fins económicos e turísticos, por parte dos nossos concelhos vizinhos, de alguns destes produtos.

Senão vejamos: o pão. Quem ainda não foi ao Museu do Pão, em Seia, que ali atrai milhares de pessoas anualmente, ou ao Festival da Broa de Avanca, organizado pela Confraria da Broa ali existente. Ora sendo o concelho de Albergaria-a-Velha um dos que mais moinhos, moleiros e padeiros teve, porque nunca aproveitou esses recursos para fins semelhantes? O pão do Fontão e de Albergaria-a-Nova continua a ser do melhor que há.

Depois o leitão, que Águeda transforma na Festa do Leitão e ali faz deslocar milhares de pessoas, ou que Anadia e Mealhada divulgam há muitos mais anos de forma bem rentável. No nosso concelho, temos uma forma diferente de o assar, mais saudável, como se pode comprovar com o sucesso que é a “Casa dos Leitões” em Angeja.
As enguias enlatadas, que uma empresa da Murtosa exporta para todo o mundo, contrapõem com as que aqui podemos saborear, fritas ou de escabeche.

E as lampreias que Sever do Vouga transforma no Festival da Lampreia, ali levando milhares de pessoas, enquanto assistimos à sua passagem a subir os rios que existem na quase totalidade das freguesias do nosso concelho, sem delas fazermos aproveitamento económico e turístico, fosse com arroz ou à bordalesa. Ou a vitela, que também Sever do Vouga bem divulga e apresenta, enquanto nós por cá nos limitamos a prová-la sem grande divulgação. Até os folares que Ílhavo apresenta como bandeira concelhia, são aqui feitos com mestria e em nada lhes ficam atrás, com ou sem ovos.

Apenas os biscoitos diversos descendentes da “Casa Turco” ainda levam longe o bom nome de Albergaria-a-Velha, mas até quando? Parece que apenas a regueifa e o pão doce estão esquecidos e ainda ninguém se lembrou de os aproveitar para fins económicos e turísticos nos concelhos vizinhos, já que as rabanadas e os bilharacos são produtos mais sazonais. A título de curiosidade, as famosas cavacas típicas das Festas de São Gonçalinho, em Aveiro, foram este ano confeccionadas no nosso concelho, na Branca.

Agora, se a estas qualidades gastronómicas e potencialidades turísticas adicionarmos um outro condimento – a excelente localização geográfica do concelho de Albergaria-a-Velha –, então porque não salvaguardamos e divulgamos os nossos excelentes produtos gastronómicos, prestando diversos “serviços” ao mesmo tempo que salvamos o nosso “Património”, atraímos turismo, criamos emprego, geramos riqueza e divulgamos algumas das boas coisas que ainda existem no nosso concelho.

04-05-2010
Fonte: Dr. Delfim Bismarck

Pedido de fotos: “Albergaria-a-Velha 1910 – da Monarquia à República” Pedido de fotos: “Albergaria-a-Velha 1910 – da Monarquia à República”(3)

Delfim Bismarck Ferreira e Rafael Marques Vigário estão a elaborar um estudo intitulado “Albergaria-a-Velha 1910 – da Monarquia à República”, o qual pretende fazer uma análise aprofundada do que foi Albergaria-a-Velha em 1910.

Esse estudo analisará aspectos diversos, como: a Organização Administrativa, Administração do Concelho, Câmara Municipal, Regedoria, Junta de Paróquia / Freguesia, Organização Judicial, Comarca e Tribunal, Cadeia, Fazenda Pública, Ensino, Assistência Médica e Hospitalar, Vida Cultural e Associativa, Vida Social, Comércio, Indústria, Vida Rural, Rede Viária, Transportes, Imprensa Local, Emigração, Arte e Arquitectura, Partidos Políticos, Religião, 1910 – mês a mês, e um longo capítulo final com Biografias de todos os que em 1910 habitavam na vila de Albergaria-a-Velha (de maior idade, fossem naturais ou não).

Por esse motivo, pedimos a todos aqueles que possuam fotografias de avós, bisavós ou trisavós que habitavam em Albergaria-a-Velha em 1910, o favor de entrar em contacto connosco através do email geral@portaldealbergaria.com

Antecipadamente, os autores agradecem todos os contributos para a valorização deste trabalho.

02-03-2010

Autores Albergarienses: Bento Álvares Ferreira Autores Albergarienses: Bento Álvares Ferreira(1)

Nasceu em 27 de Março de 1817, na Rua de Cima (hoje Rua Dr. Alexandre de Albuquerque), em Albergaria-a-Velha, onde foi baptizado em 7 de Abril do mesmo ano na Igreja Paroquial de Santa Cruz, pelo Padre José Bernardino Gonçalves, tendo por padrinhos: seus primos, Patrício Theodoro Álvares de Carvalho e D. Maria Benedita Álvares Ferreira.

Era filho de Manuel Ferreira dos Santos Júnior, proprietário, e de sua mulher D. Maria Clara Álvares de Oliveira, neto paterno de Manuel Ferreira dos Santos e de sua mulher D. Agostinha Álvares da Silva, e neto materno dos 1.ºs Senhores da “Casa do Mouro”, Francisco Dias de Oliveira e sua mulher D. Maria Joana Álvares Ferreira.

Casou em 11 de Fevereiro de 1846, na Igreja Paroquial de Santa Cruz de Albergaria-a-Velha, num acto celebrado pelo Rev. Cura António Marques de Campos, com sua prima em 3.º e 4.º grau de consanguinidade, D. Matilde Angélica Álvares de Carvalho, filha dos 3.ºs Senhores da “Casa de Santo António”, António Constantino Álvares de Lemos Tavares e Carvalho e sua mulher D. Theodora Angélica Álvares Ferreira de Carvalho.

Bento, foi “Homem de vasta cultura e desempenhou papel relevante na vida local, precisamente quando o Concelho, criado em 1834, carecia de quadros habilitados para a sua organização e consolidação”.

Foi Secretário da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha, de 1839 a 1842, altura em que redigiu e dispôs as primeiras “Posturas da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha”, em 1841, notável documento do municipalismo português.

Mais tarde, foi Vereador e Presidente da Câmara Municipal do mesmo concelho; Administrador do Concelho de Albergaria-a-Velha, desde 15 de Maio de 1848 a 10 de Junho de 1853, como substituto, mas em efectivo serviço sempre, e efectivo até 4 de Setembro de 1857, e ainda, Administrador das Minas da Pena, em Valmaior, até 1862.

Em 1870, publicou na Imprensa da Universidade de Coimbra a sua obra “Biblioteca da Gente do Campo”, obra de grande interesse para todos aqueles que se dedicavam à vida rural.

Ao longo da sua vida, foi ainda: Proprietário; co-fundador e Juiz da Irmandade de Nossa Senhora do Socorro, em 1880/81, e Juiz Ordinário do Julgado de Albergaria-a-Velha por largos anos até à sua morte, em 5 de Dezembro de 1884, na “Casa do Agro”, deixando três filhos: Patrício Theodoro, José Vicente e João Patrício Álvares Ferreira.

02-03-2010
Texto: Dr. Delfim Bismarck

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