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António Justo: Governo malbarata Dinheiros Públicos e discrimina o Norte(1)
Branca marca Pontos na Defesa da Ecologia Ambiental e Humana A AURANCA, uma associação de defesa do ambiente e património da vila da Branca, no distrito de Aveiro, Portugal, tem sido infatigável na luta pela defesa do meio e ambiente e na implementação da articulação cívica popular. A construção da Auto-estrada (A32) constituiria um atentado não só contra a ecologia ambiental e humana como também contra a razão económica. A A32 viria destruir parte relevante de zonas nobres do seu trajecto como é o caso do Monte de S. Julião da Branca e a mata do Choupal em Coimbra. A AURANCA, com a sua presidente Nélia Oliveira e o seu porta-voz engenheiro Joaquim Santos, tem conseguido muitos aliados na luta contra a construção da A32. Tem atraído muitos parlamentares e outras personalidades em reuniões e acções públicas em defesa dos interesses da região. A nível internacional despertou o interesse do 2° canal da cadeia de televisão alemã (ZDF) que entrevistou a AURANCA e fará uma reportagem sobre a falsa aplicação de dinheiros públicos numa zona onde já passam duas auto-estradas em direcção a Lisboa (a A1 e a A29). Governo aplica mal os Dinheiros PúblicosOs escassos recursos que Portugal tem devem ser investidos em empreendimentos produtivos e não em projectos consumistas como seria o caso da A32, que, além da verba para a construção, pressuporia, posteriormente, grandes custos de manutenção, a suportar também pelas gerações vindouras. Toda a zona Norte e do Interior tem sido tratada como filha da madrasta em relação a Lisboa e carece de investimentos públicos nos mais diferentes sectores. O governo tem até desviado dinheiros da União Europeia para Lisboa quando estes se destinavam a promover as zonas desfavorecidas do Norte e do interior. Muita da população destas zonas não lhe resta outra alternativa senão emigrar. Atenas, que cometeu erros semelhantes a estes deveria ser um motivo para os sinos tocarem a rebate em Portugal. Além disso, por todo o Portugal se encontra necessidade de investimentos públicos de grande urgência em jardins infantis, escolas, hospitais e grande negligência em relação ao apoio às pequenas e médias empresas. O ministro das Obras Públicas, não por convicção, mas porque apertado pela razão económica, afirmou ultimamente que o projecto da A32 será reavaliado. Uma consciência ecológica adulta suporia também a revogação da declaração do Impacto Ambiental. Portugal tem que reduzir os gastos que teriam consequências prejudiciais para o Défice do Estado. No sentido duma gestão produtiva dos dinheiros públicos deveria abandonar para já o projecto TGV que é um projecto de prestígio para a elite portuguesa mas que iria impedir o investimento de firmas estrangeiras em Portugal, que construiriam os seus escritórios em Madrid e não em Portugal! O governo de Lisboa encontra-se em débito em relação ao Norte e ao Interior e não a Madrid. O TGV, no traçado actual seria uma traição a Portugal e ao Norte. António da Cunha Duarte Justo 04-05-2010 |
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António Justo: Revolução do 25 de Abril – Uma história mal contada(11)
O Povo Português não gera Revoluções As revoluções portuguesas são como a ponte de Lisboa. Antes do golpe de estado chamava-se “Ponte Salazar” depois passou a chamar-se“Ponte 25 de Abril”. Apenas mudam a fachada e a lata. O povo, tal como o rio Tejo, cansado de inúmeras voltas e de tantos despejos, sempre pacífico e adaptado, tem permanecido igual a si mesmo, ao longo da História: vagaroso mas internacional(1). De época para época, alguns insatisfeitos do sistema, os filhos dos senhores do regime, provocam um golpe de estado, apoderam-se dele e mudam-lhe o nome. Povo e golpistas conhecem-se de ginjeira: aquilo a que dão o nome de revoluções, pouco mais se trata do que da troca de nomes, dum acerto de contas e de acomodação à história dos vizinhos; o mérito do acontecimento está em dar ocasião à necessidade do povo festejar e aplaudir ou, quando muito, resolver alguns deveres de casa esquecidos. Os actores sabem que a injustiça não é boa mas a justiça seria incómoda. Optam então pela vida dos dos “brandos costumes” sem a preocupação de fazer justiça. Arranjam um nome monstro para justificarem as suas acções e branquearem as suas intenções. No caso do 25 de Abril, um grupo de cretinos (2) aplicou ao regime autoritário de Salazar o nome explosivo de fascismo, metendo-o (internacionalizando-o) assim no mesmo rol de Franco, Mussolini, Hitler e Pinochet. Então, a nação inteira passou a dar-se conta do monstro e resolveu dar caça ao fantasma. Este vai recebendo cada vez mais atributos até que passa de lobo a Minotauro. A partir deste momento o povo perde a ideia passando a viver do medo do labirinto. Entretanto vão surgindo alguns lobitos e o povo vai distraindo o medo no “Jogo ao Lobo”! O país da Europa com as maiores desigualdades sociais entretém-se em argumentações opiniosas deixando as coisas importantes para os nomes engordados em nome das classes desfavorecidas. Já habituado à humilhação e à atitude governativa arrogante e distante, o povo servil, filho da “revolução da liberdade” até aceita a censura em nome da democracia. O estado português já há séculos não tem povo, chega-lhe a população. A população já há séculos que abdicou de o pretender ser, contentando-se em viver na sombra da Face Oculta do Estado. Deixou o palco da nação aos dançarinos do poder! O 25 de Abril passou – A Revolução está por fazer Com o golpe de estado de Abril, o regime autoritário é acabado no meio da guerra colonial. O povo português, o que quer é esquecer a guerra e os políticos o que querem é a confusão para se poderem organizar e não terem de assumir responsabilidade pela traição dos interesses da nação, dos retornados e do povo nativo. Segundo o reconhecido historiador José Saraiva, o abandono das províncias ultramarinas constituiu “a página mais negra da História de Portugal”. Disto não se fala; reduz-se a história a folclore e a governação ao jogo do rato e do gato… O 25 de Abril assenta em pés de barro. Fez um golpe de Estado e deu-lhe o nome de revolução. Os seus actores não pensavam em revolução. Foram surpreendidos pelos acontecimentos que eles próprios provocaram e alguns, entre eles, (especialmente Otelo S. de Carvalho) serviram-se do comunismo/socialismo para legitimarem e darem uma projecção histórica ao movimento dos oficiais descontentes. O 25 de Abril foi um golpe de Estado que surgiu de motivos pessoais e antipatrióticos de alguns, mas nunca uma revolução. O novo regime começou mal e com actos inglórios tal como acontecera na implantação da república. Mas disto não deve rezar a História, o povo precisa de festa e os governantes de distarcção. Não importa viver, interessa é ir-se vivendo! O programa MFA (Movimento das Forças Armadas) pretendia Democracia, Descolonização e Desenvolvimento. Os primeiros dois anos foram uma confusão maluca. Tudo era facho e qualquer jovem adolescente se armava em guarda de comícios, por vezes até de metralhadora na mão. Recordo que quem tinha um emprego bom, ou uma casa digna, logo era apelidado de “facho”, pelo povo gozador, num misto de atmosfera de inveja e admiração. Depois com a nova constituição tudo ficou camarada e irmão: camarada de facho na mão! Os partidos, sem mérito, passam a viver do prazer de terem organizado as suas fileiras. Desfavorecem a politização do povo para fomentarem o partidarismo e um discurso público dirigido à conservação do poder. Entretanto, o povo sente-se humilhado e deprimido; o seu sentimento de identidade definha, sendo compensado apenas no sentimento duma grandeza promissora dos irmãos da lusofonia e da madrasta União Europeia. O sentimento de identidade nacional baseado no cristianismo, na cultura nacional e na ideia das grandezas dos descobrimentos não agradam às novas elites internacionalistas. A má experiência do povo com a própria elite, sem sentimento de nação nem de povo, leva-o a sentir-se apenas como inquilino anónimo de alguns senhores da praça pública, dos canonizados da democracia. Sente-se filho de pai incógnito! Portugal continua preso numa mentalidade de arrendatário de ideologias e senhorios mercenários que o povo tem de acatar para ir vivendo! Portugal, apesar de golpes de estado e de pseudo-revoluções, continua a sofrer na pele a experiência de outrora: a experiência dos ingleses senhores das quintas do vinho do porto que viviam na Inglaterra e tinham em Portugal os seus feitores portugueses a cuidar dos seus interesses. O Estado português tornou-se numa feitoria de alguns mercenários. Daqui vem a sabedoria portuguesa que, muitas vezes, diz: “ isto é para inglês ver”. As nossas elites intelectuais não são em nada inferiores às europeias. O problema está no seu individualismo e na sua falta de consciência de povo, e de espírito colectivo! As elites políticas vivem do nome, interessando-se, a nível de país, apenas por terem Lisboa, como sala de visitas de Portugal onde elas podem receber vaidosamente os amigos. Colaboram com um internacionalismo interessado em destruir as nações para depois poderem surgir como salvadores e implantar um governo mundial de burocratas e tecnocratas contra os biótopos nacionais. O povo, antigamente, sofria sob a bandeira do trono e do altar; hoje sofre sob a lama das massas a toque de caixa partidária que segue o ritmo das multinacionais. A grande diferença: Hoje o povo não se pode queixar, porque os seus opressores vêm do seu meio e parte deles são eleitos democraticamente. Já Ovídeo escrevia nas Metamorfoses: “O destino conduz os de boa vontade e arrasta os de má vontade”. Com a celebração do 35° aniversário do golpe, já seria tempo de Portugal ir à cata dos de boa vontade!… O aniversário do golpe de estado poderá deixar de ser um pretexto para se tornar numa oportunidade. Urge descobrir a nação e ter a vontade de se assumir como povo. O grande povo e a nação valente que “deu novos mundos ao mundo” tem-se manifestado incapaz de se descobrir a si. Um Estado é como uma planta. Se adoece, os parasitas cobrem-na facilmente. O país tem-se modernizado; não tem inimigos nem ódios mas encontra-se apático e doente. Depois do golpe de Estado, o fanatismo republicano e o oportunismo continua a tradição da “apagada e vil tristeza” dum conservadorismo míope e dum progressismo cego! Os cães de guarda do Estado contentam-se em morder e em ladrar alto e o rebanho atemorizado lá se vai movendo no respeito à própria lã que vê nos dentes deles! Acabe-se com o louvor do golpe e dos golpistas. Não notaram ainda que a revolução se encontra, desde há séculos, por fazer! Para nos levarmos a sério teremos de descobrir primeiro o povo e a nação. Então seremos capazes de enfrentar as desgraças históricas, sejam elas progressistas ou conservadoras. Há que aceitá-las, para nos podermos mudar e assim mudar o rumo português para o bem-estar de todos, nacionais e estrangeiros. Para isso precisam-se mulheres e homens adultos! “O povo unido jamais será vencido”, cantam as sereias, na certeza de que ele se embala na música e não se descubre como povo! Não vale a pena o queixume. Quem se queixa é pobre ou não pode! Trata-se de mudar mudando-se! A nação precisa de todos. António da Cunha Duarte Justo 22-04-2010 |
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António Justo: Os Poderosos não gostam de Corajosos – Medo é o seu Negócio(4)
Morte e ressurreição fazem do Cristianismo uma impertinência, uma afronta. Unir a morte à ressurreição torna-se numa exigência a cada pessoa, um apelo à mudança radical de vida (metanóia) para a responsabilidade. “Fazei jejum e estai atentos” apela a Boa Nova. A compreensão do acontecimento pascal pressupõe o à-vontade com a vida, uma relação aberta com a morte, uma recusa ao medo. A razão foi crucificada pelos poderosos. A história repete-se ininterruptamente. Quem se encontra do lado dos vencedores tem dificuldade em compreender o povo crucificado, os que perdem. Reprimimos o perder porque este faz parte de nós e está presente nas nossas fraquezas não assumidas: medo da velhice, medo de perder o emprego, medo da separação, de adoecer, da pobreza, das catástrofes climáticas, da má figura, etc. Por medo, se desprezam os velhos, os fracos e doentes e se evitam os pobres. A nossa vaidade e superficialidade leva-nos a viver na escravidão, a viver fora de nós, a desmiolar-nos da nossa dignidade e dela abdicarmos para os vendilhões se mascararem com ela e nos venderem a ilusão. Os Media vivem da mensagem “tende medo”, “sêde ovelhas”. Antigamente também a religião ganhava pontos com o medo do inferno; hoje o negócio com o medo passou para os Media e para a política que, com diversos medos, alienam o povo de si mesmo, da sua ipseidade e do Estado. Páscoa, morte-ressurreição significa encarar o medo de frente e vencê-lo. Assumir o próprio ser investindo na diferença. Afinal nós só temos medo de perder o que outros nos roubaram! A Páscoa ajuda-nos a dar conta disso! “Fazei jejum e estai atentos”! Ressurreição, libertação significa dizer sim à vida, lutar contra a banalidade do factual, contra o politicamente correcto (o medo de não ser como os figurinos querem!). Morte e ressurreição acontecem aqui e agora. O amor não conhece o medo. Porque temos medo de despir os vestidos da desonra que nos vestiram? Martin Heidegger dizia “ O ter medo é o estar-no-mundo como tal”. Ao considerarmo-nos como “ser e tempo” reduzimos a perspectiva da nossa existência, reduzimos a vida a espaço e tempo. O medo torna as coisas e as pessoas insignificantes, deixa-nos abandonados a nós mesmos, ao anonimato da gota no oceano. A TV fomenta o medo é histérica tornando-se na escrava dos políticos e da economia ajudando os políticos a impor programas antipopulares e anestesiando o povo para aguentarem a injustiça e o roubo da sua dignidade . Um provérbio alemão afirma: “diz-me de que tens medo e eu digo-te o partido que eleges”. A opinião é o dogma da (des)informação! A ciência e a técnica prometem acabar com medos existenciais. O medo porém permanece constante. O desconhecido e o incerto metem medo e a autoridade confunde respeito com medo. Se hoje temos mais medo é porque temos mais que perder, é porque queremos ter e não ser. Somos emigrantes da vida,sempre a caminho… Vivemos de esperanças ilusórias no mercado das vaidades, tudo à margem da Esperança, por isso, esta é defraudada na espera. E quem espera desespera! “Deixai os mortos enterrar os seus mortos”. Vós estais vivos. A Páscoa é mistério de Vida. Ressurreição é libertação dos medos e dos entorpecimentos da vida. O fundamento do cristianismo é fé, esperança e amor, tudo na dinâmica e perspectiva da trindade, o outro lado do medo, no mistério do ser. Na ressurreição, os cristãos crêem que com a morte a vida continua duma outra forma. Por isso a Páscoa é a festa mais importante da cristandade. A morte faz parte do dia a dia da vida. Não podemos continuar a deixar o céu para os pardais e o povo para as elites. No mistério não há garantias nem receitas. O programa é soltar-se da violência de pressões exteriores e interiores. O perfeccionismo, a hiperactividade, o desejo de glória provêm do medo da morte. Não à subjugação ao medo! Não aos bonzinhos do poder! Só assim poderemos acordar para o amanhecer do novo dia. Sexta-feira Santa e Domingo de Páscoa formam um só dia. Deus surge na manhã de cada um de nós. A manhã brilha, torna-se dia na criação; no interior da humanidade deixa de escurecer! As preocupações juntam-se no fumo do incenso e ao sair do turíbulo, dissipam-se e cantam “Lumen Christi”, aleluia. Nesse dia grande, sente-se o pensar da natureza ao passar do vento na copa das árvores, ouve-se a sua voz no chilrar dos passarinhos e um sol de primavera se levanta baixinho no coração do Homem a aquecer a natureza. No Domingo de Ramos o povo glorifica e aplaude o Mestre de Nazaré que entra em Jerusalém e arruma com os vendilhões da capital e do templo, arruma com os comerciantes e traficantes da vida humana. Estes, hoje como ontem, não suportam ser desmascarados perante o povo. A vingança dos poderosos conduz sempre ao calvário dos simples. Em todas as instituições, do Estado à religião, vivem os parasitas da vida e do povo, os cães de guarda da instituição! A viúva, a pecadora, o povo, Jesus, morrem fora dos muros dos ministérios e do templo. Para estes a ressurreição para os dignitários (cães de guarda) a opressão. O teólogo Alfred Loisy também afirma:”Jesus anunciou o Reino de Deus e quem veio foi a Igreja” e eu continuaria: os políticos anunciaram a democracia e quem veio foram os partidos! Todos somos testemunhas duma história de morte e ressurreição, do bem e do mal na comunidade de santos e pecadores. Cada um traz em si a vela divina acesa da fé e da esperança, resta apenas soprar as cinzas que a cobrem. Depois a lei será: ama e faz o que queres! António da Cunha Duarte Justo 07-04-2010 |
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António Justo: Padres a menos e Pastores a mais(4)
Celibato – Ontem uma Bênção – Hoje um Problema (1) A Igreja Católica conta com 1.131.000.000 católicos no mundo e dispõe de 407.262 padres e de 815.237 membros de ordens religiosas (estatísticas de 2008). As comunidades cada vez contam com menos padres. A frequência dominical diminui também. Enquanto na Polónia 40% da população vai regularmente à missa, na Alemanha, dos 25,461 milhões de católicos só frequentam regularmente a missa dominical 17%, isto é 3,492 milhões (estatísticas de 2008). Pelo contrário, a Igreja Evangélica, onde não há obrigatoriedade de celibato para os seus pastores, vê-se obrigada a dividir um tempo inteiro de pároco por dois pastores, com meio tempo para cada um, pelo facto de ter pastores e pastoras em superabundância. A Igreja Católica, por seu lado, encontra-se numa situação desesperada de luta com a falta de padres. As Igrejas ortodoxas russa e gregas, nas quais os padres se podem casar, não têm problemas de formação e angariação de padres. Tradicionalmente as famílias de padres fornecem também novos padres. Os bispos são recrutados, geralmente, das ordens religiosas. Em Portugal conta com 81,10 % de católicos. Segundo a Agência Ecclesia, em 2006 havia 2.894 padres distribuídos por 21 dioceses em 4.366 paróquias. Por cada dois padres que morrem é ordenado um. A Igreja, para responder ao problema organiza “Unidades Pastorais” com equipas de sacerdotes responsáveis por várias paróquias; além disso recorre à formação de diáconos casados. Até ao século XX, a obrigação do celibato para os párocos revelou-se como medida inteligente, na Igreja Católica. Duma maneira geral, a Europa era constituída por uma sociedade de classes, fechadas em si mesmas. O povo não tinha acesso às classes superiores nem à cultura das elites, não podendo, por isso, assumir lugares de responsabilidade pública. As grandes famílias distribuíam o poder (postos) entre elas. O sacerdócio celibatário impedia a concentração do poder eclesiástico em famílias tendo sido, ao mesmo tempo, um elemento democrático no meio do clero, da nobreza e da burguesia. A extensão da obrigação celibatária das ordens (clero regular) às paróquias (clero secular) possibilitou uma solidariedade entre elites e povo. O padre, que, geralmente, provinha das classes populares tinha hipótese de subir e fazer parte do alto clero. A sua presença contesta a prática secular das grandes famílias nobres/burguesas e possibilita a subida da classe desfavorecida aos postos superiores da sociedade eclesiástica, impedindo que se formasse uma oligarquia sem base popular. O povo, através do sacerdócio, trazia sangue novo e renovador à oligarquia da Igreja, solidarizando-a com o povo. Aqueles que não aguentavam com o jugo do celibato e abandonavam o seminário ou o cargo, provindos embora do povo, passavam para a sociedade secular onde ocupavam cargos relevantes e deste modo assumiam também uma presença popular nela. Quando se fala de padres e de celibato é necessário distinguir entre os celibatários por vocação, (membros de ordens e congregações religiosas) e os celibatários por encargo aos quais a legislação eclesiástica impõe o celibato como condição de acesso ao exercício da missão sacerdotal paroquial. O celibato para os párocos foi tornado obrigatório pela Igreja Católica na idade média. A Igreja Ortodoxa não aderiu a esta medida disciplinar. Apenas exige o celibato aos bispos. A ligação do exercício do sacerdócio ao celibato não tem fundamento bíblico. Pelo contrário, a Bíblia opõe-se ao ascetismo exagerado e à proibição do casamento aos padres (cf. 1Tim3,1-13 e 4, 1-5). Entretanto o celibato tornou-se no principal factor impedidor da abundância de padres. O benefício que o celibato traz para a estratégia administrativa é adquirido contra a integração cultural e estrutural do cristianismo nas estruturas seculares. Uma mentalidade fechada e ingénua tem levado as elites da administração eclesiástica a adiar o problema em detrimento da Ecclesia semper reformanda e da integração religiosa nas estruturas culturais. A estruturação da sociedade hodierna exige não só novas medidas em relação ao clero mas também uma nova estratégia de presença cristã nas sociedades. A sua nova reestruturação não pode ser feita apenas para dar resposta à falta de padres. O papel dos leigos numa comunidade viva consciente e activa não pode esquecer a importância do testemunho de vida e missão na sociedade em que estão inseridos. Clericalismo e anti-clericalismo são sintomas de Sociedades desintegrada Nas sociedades nórdicas, a influência dos pastores casados e suas famílias está muito presente a nível cultural e político-social nas nações. O seu contributo cultural para a sociedade secular faz lembrar o contributo cultural de alto nível dos judeus, no seio dos povos onde se encontram inseridos. É importante constatar-se que, nos povos nórdicos, não há o anti-clericalismo que se encontra em países latinos. Isto tem a ver naturalmente com a integração social e o relevo cultural dados pelas famílias dos padres evangélicos às nações. É frequente ouvir-se políticos tomar posição em público fundamentada em princípios cristãos e isto tanto em partidos de esquerda como de direita. Nas nações latinas, tradicionalmente de maioria católica, os padres também contribuíram muito para a cultura secular dos países; faltou-lhes porém a disputa com a vida concreta do dia a dia, o enraizamento familiar e a consequente influência. O povo nas sociedades latinas são mais indiferentes e mais dependentes da opinião momentânea do que os povos das nações nórdicas. Os filhos dos pastores evangélicos foram muitas vezes pioneiros a nível de cultura e movimentação política crítica, integrando-se nas mais diversas expressões da arte, da ciência e da religião. Deste modo a Igreja torna-se indirectamente a guardiã do progresso e ao mesmo tempo a defensora de valores tradicionais e humanos. Clericalismo e anti-clericalismo são fenómenos doentios de sociedades mais desintegradas. Cidadãos e crentes têm que suportar as estruturas e suportar-se a si também! António da Cunha Duarte Justo 12-03-2010 |
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António Justo: Tempo de Fitness para corpo e alma(0)
A Quaresma corresponde a Nível Social ao Inverno da Natureza A natureza recolhe-se no Inverno para florir na Primavera. O Homem recolhe-se na reflexão para poder possibilitar a gestação e florir no Espírito. Quarta-feira de Cinzas inicia o período da penitência pública de 40 dias de jejum, a Quaresma. Ela começa com o fim do Carnaval e estende-se até à noite pascal. O começo do tempo de interiorização e de penitência (Quaresma) é antecipado pelo tempo do Carnaval, em que vale a exteriorização, vale a carne. Trata-se agora de fazer um balanço e de adquirir o equilíbrio entre as necessidades de corpo, alma e espírito: A harmonia duma “ alma sã em corpo são”. Esta é uma necessidade existencial. Se observamos a natureza verificamos que ao seu período de activismo (Carnaval) se segue um período de recolha e calma (a Quaresma), o período de Outono e Inverno. Esta é a época da preparação que possibilita a floração do espírito. Muitas pessoas aproveitam este período para repousarem e fazerem um balanço da vida. Na Alemanha, como em muitos países de tradição cristã, muitas pessoas, crentes e não crentes, vão passar uns dias de repouso em conventos beneditinos e noutros. Podem participar na vida da comunidade, no canto dos 150 salmos que os monges cantam, de semana a semana, e participar em cursos de meditação e outras iniciativas. Há comunidades que disponibilizam estadia já a partir de 10 euros por dia. Este pode ser um tempo de purificação, de queda de toda uma folhagem que impediria a transformação e a abertura para o novo. Entre essa folhagem, a cair, podem-se encontrar dogmas, ideologias e certezas que parasitariamente se agarram à casca da nossa existência e nos roubam a capacidade de sensibilidade ao Sol da vida que raia. O período da Quaresma corresponde aos 40 dias que Jesus passou no deserto (tempo de preparação) e recordam o peregrinar dos israelitas do Egipto para a Palestina. É o tempo em que cada pessoa tem oportunidade de sair da roda de hamster do dia a dia. Páscoa é o tempo de passagem e a vida também! Neste período não se trata de se mortificar ou de emagrecer; trata-se de proporcionar uma viagem ao interior de si mesmo, duma avaliação da própria vida e de entrar num processo de libertação. Trata-se de descobrir o que é que me impede de ser eu mesmo e de seguir o que a minha consciência me diz. O carrossel do dia a dia entrava, por vezes, a percepção de si mesmo e do próximo, arrancando-nos do processo que é a vida. Em atitude de reflexão e de calma observa-se o próprio stress e descobrem-se as próprias mazelas. Ao olhá-las de frente e aceitá-las, como parte de si mesmo, abre-se uma chance à mudança. Então o Sol brilhar não só na nova folhagem a despertar mas passa a correr também por dentro de nós, na própria seiva. Então tornámo-nos nós mesmos. Livres e libertadores somos Páscoa, Sol também para os outros, a passar e a aquecer. Dieta – Jejum No Inverno a natureza, depois de deixar cair a carga da folhagem que já serviu, entra num período de dieta, de preparação. Com a “Quaresma” a sociedade consciente da realidade entra em período de jejum. Jejum (dieta) é um meio de facilitar a meditação e de se tornar consciente da própria corporalidade e espiritualidade; é o tempo propício ao encontro do essencial, é a oportunidade para a descoberta da natureza de Cristo em si mesmo e descobrir o eu numa relação de descoberta do tu e da vivência do nós que se realiza na comunidade peregrinante. Teologicamente poder-se-ia expressar esta consciência processo na realidade trinitária de que fazemos parte. Tal como a natureza, cada pessoa, cada povo, cada cultura, cada religião encontra uma forma própria, um ritual que o integra num processo de caminhada, de Páscoa universal. Segundo estatísticas o jejum das pessoas, nesta época, expressa-se por ordem decrescente na renúncia a álcool, doces, fumo, carne, TV, computador, etc. Especialmente durante o tempo de Quaresma, os crentes são convidados a partilhar os seus bens com os mais pobres. Na Idade Média, Quarta-feira de cinzas era o dia do início da penitência pública da igreja. Os penitentes, ricos e pobres, vestiam o traje (saco) da penitência e eram polvilhados com cinza. A partir do século X o hábito da penitência pública começou a tornar-se mais raro restando o rito simbólico de quarta-feira de cinzas em que o padre faz uma cruz na testa dos concelebrantes com cinza. A cinza é proveniente de ramos de palmeira e de oliveira do ano anterior (Domingo de Ramos). A cruz que o padre assinala na testa dos crentes é acompanhada com as palavras “lembra-te ó Homem que és pó e em pó te hás-de tornar”. A Igreja cristã solicita dos crentes jejum, penitência e meditação, especialmente durante estes 40 dias, e a renúncia à carne, pelo menos às sextas-feiras. Um estômago demasiado pesado impede a meditação e a percepção do corpo e da alma no seu todo e não predispõe à mudança, à metanóia, não se abre ao outro. 02-03-2010 |
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António Justo: Doi mais pensar do que trabalhar(4)
A política engana o povo que prefere ser enganado O Governo não pode revelar o estado da nação ao povo não só por razões de interesses próprios como também pelo facto do povo não estar preparado para aguentar a verdade. Se José Sócrates dissesse que o seu activismo, em questões de ensino, trabalho, saúde e de finanças, não passou de paliativo para se aguentar na administração da miséria, acontecer-lhe-ia como aconteceu ao primeiro-ministro húngaro, quando em 2006 disse que o seu governo não passou duma farsa. Então o povo saltou para a rua em demonstrações e lutas contra a polícia. Os políticos dançam o tango costumado porque lhes faltam as ideias e a coragem para fazer algo diferente. Impotentes, agem todos sob a batuta anónima internacional, contentando-se, pessoalmente, com a representação! Ninguém se atreve a dizer que o rei vai nu! Dado a situação a resolver ser contextual global, só lhes restaria a amargura ou a resignação! Limitam-se, por isso, a políticas de clientela e de guerra ideológica a nível de costumes em torno do sexo e quejandas, para irem distraindo o povo. Sabem que as soluções que apresentam para os problemas já não correspondem às do século XXI, que é um mundo cada vez com menos recursos naturais e com multidões de pobres que querem atingir o nível de vida do mundo ocidental, o que a natureza não pode dar, nos termos de trato e exploração actual. Embora cada país saiba que, num mundo tornado global, a solução não é nacional, cada povo procura puxar a brasa à sua sardinha, consciente embora que já não estamos no tempo da brasa mas das labaredas! A continuarmos assim já se podem prever guerras e guerrilhas de grande dimensão. Não é adequada uma política de empobrecimento das massas populares ocidentais enquanto a ganância dos andares superiores continua desregrada. Urge o início duma cultura da modéstia e duma sociedade empenhada na realização da dignidade humana. O problema é de mentalidade e de sistema de pensamento! Vivemos de necessidades e de produtos desnecessários. Porque não pensamos, não actuamos numa perspectiva duradoira construída na base da dignidade humana e do respeito por animais e pessoas. Ao abandonar-se a tentativa duma ortodoxia para passar-se a outra, renuncia-se automaticamente a uma ortopraxia. Fere mais pensar do que trabalhar! Como consequência temos uma política do activismo que segue atrás da banalidade factual e dos ventos do oportuno ocasional. Como consequência temos uma crise duradoira a nível económico, político e cultural. Deixa-se a reflexão e a meditação para os conventos e para alguns movimentos esotéricos. Vende-se o recheio da casa para não se ir para a rua! À Espera de Godot Neste sistema o desemprego aumentará continuamente e a escola não garantirá emprego. Alguns trabalhos tornaram-se impagáveis com vencimentos horrendos enquanto que o salário carente proletário é cada vez mais precário com consequências terríveis para a vida actual e para a reforma. O exército de académicos desempregados é enorme. Académicos sem trabalho metem-se em novos estudos na esperança de virem a ter um emprego. Constrói-se ilusão sobre ilusão. Quem puder que se salve! Adia-se a vida num Estado não interessado numa verdadeira formação escolar e profissional. As escolas formam pessoal para uma sociedade que o não precisa e despreza. Elas tornam-se cada vez mais em instituições de conserva, à disposição da nação, num Estado que não sabe que fazer e constrói sobre a areia. Antigamente tínhamos os soldados da reserva, hoje temos os operários da reserva e os estudantes da reserva. Tudo à espera de Godot!… O problema é que o próprio tempo de espera se tornou banal porque o objecto da espera é alienação pura. Quando esta massa acordar para a realidade e não se limitar com as migalhas que caem da mesa dos grandes, será fácil recrutar a revolução e a anarquia! O que vale ainda aos que ocupam os postos do Estado é o facto de terem um sistema de ensino que educou para a apatia e ensinou os alunos a adaptar-se mas não a agir nem a pensar, ensinou a obedecer mas não a ser! No melhor dos casos uma sociedade pensante poderia criar “fábricas de pensamento”, facultadoras duma revolução interior com projectos de sociedade que tenha por base a natureza e por fim o Homem, numa praxis concretizadora da dignidade humana e da dignidade das relações com a natureza e com os biótopos sociais. Não podemos permitirmo-nos continuar a aprisionar a natureza nas fábricas, a encarcerar os trabalhadores nas repartições de trabalho, a aprisionar a inteligência em instituições escolares e a viver dos reservados do pensamento dos ministérios e ao mesmo tempo a degradar a natureza e o povo. Isto é vida em segunda mão, é servidão de sistemas para os seus aproveitadores. Chega de alienação política e cultural! O mercantilismo dos valores asfixia-nos o horizonte e destrói-nos o futuro. António da Cunha Duarte Justo |
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António Justo: Portugal volta à censura de Salazar(5)
Dançarinos do Poder desonram o Socialismo democrático e ofendem a Democracia Na sequência de saneamentos ideológicos de jornalistas como Manuela Moura Guedes, José Eduardo Moniz, anterior Director do “Público”, não submissos à ideologia socialista, o Governo quer arrumar também com Mário Crespo, antigo professor da Universidade Independente e jornalista. À maneira portuguesa, na sequência dum jantar do Primeiro-ministro com dois outros ministros e um membro directivo da TV em que se falou mal e desbocadamente do cronista Mário Crespo do JN, o director do JN, José Leite Pereira, comunicou-lhe telefonicamente que não publicaria a crónica habitual prevista. A mal da Nação, o PM José Sócrates persegue jornalistas, que não se submetam à sua ideologia. O governo sabe que o que preocupa o estrangeiro, em relação a Portugal, é a sua situação económica portuguesa, a caminho da bancarrota, não estando, por isso, a opinião pública estrangeira, atenta ao que acontece a nível democrático e social interno. Além disso, o governo conta com uma oposição parlamentar que, por razões de Estado, colabora com ele a nível de orçamento e, por falta de consciência cultural portuguesa, não está atenta ao que acontece ideologicamente no país. Por tudo isto, o governo tem liberdade de malucos. Em tempos de crise, sob vários pretextos, o povo é que vai à fava e são-lhe impostas pílulas amargas e as liberdades individuais passam a ser de menor valia, como vai acontecendo por esta Europa fora: Putin, Berlusconi, Sócrates, etc. Assim, torna-se quase natural que os nossos mercenários do poder, em jantares de amigos da onça, decidam, entre vinho e palavras depredatórias, impedir a voz incómoda de Mário Crespo. A nação cala, como sempre faz perante os líderes do oportuno. Segue-se a tradição: “em casa sem pão todos ralham e ninguém tem razão” e quem “parte e reparte se não fica com a melhor parte ou é tolo ou não tem arte”! A nossa elite é, duma maneira geral, uma elite encostada que não se consegue afirmar pelo trabalho nem pela competência, mas geralmente pela esperteza. Trabalhar “faz calos”, e que “trabalhe o preto”, porque para “os barões” é melhor sujar a consciência do que as mãos! Os “mouros de trabalho” já há muito que abandonam Portugal! A censura de hoje é mais grave do que a de Salazar Assim, duma maneira geral, particularmente na classe política portuguesa domina a mentalidade de mercenário. Esta mentalidade é ampliada por uma tecnocracia a construir-se na EU. Não admira que os nossos dançarinos do poder façam tudo por tudo para também meterem os seus mercenários nos Media, nas grandes empresas e na administração estatal. É uma questão de mentalidade quase genética! Estado e Povo são-lhe alheios! O Estado português, se antes era administrado pela apagada e vil tristeza, passou, a partir das invasões francesas, a viver nas mãos da vileza dos mercenários da ideologia. Por isso embora Portugal tenha uma cultura que não se envergonha ao lado das dos grandes países, não temos uma cultura portuguesa cuidada nem uma cultura fundada de esquerda ou de direita de raízes profundas e próprias. As nossas elites são mestras em importar e transportar sem transformar nem se deixar transformar. Vivemos da boca para a mão atraiçoando a originalidade portuguesa do início da portugalidade. Pregam a tolerância para o povo e são intolerantes e invejosos nos seus motivos e nas relações com os outros quue querem subservientes às falácias do poder. Empertigados, só eles é que sabem, é que são “modernos” e se encontram em poder da verdade. Querem esconder a sua pequenez em projectos megalómanos, como o TGV, que mais tarde falariam deles! Quanto ao povo não importa o que come, o que importa são os arrotes dos grandes! A segurança vem-lhes dos quadros ocupados da administração e da retórica! Por isso são tão sensíveis a quem mostre o seu jogo, só aceitando jornalistas branqueadores da sua mentalidade, ou comprometidos do sistema, os tais “jornalistas competentes” que ao fazerem as perguntas aos seus interlocutores, em público, já as fazem com a tesoura na cabeça. Esta atitude está em contradição com o apregoado espírito do 25 de Abril e com a tolerância democrática; a ignorância e os interesses não dão para entender isto. Antigamente ainda poderia haver explicações que levassem a certas censuras: analfabetismo, a educação autoritária própria da época, defesa do sistema e razões de defesa da unidade do Estado. O biótopo social e histórico ainda era autoritário. Se hoje, apesar de todo o progresso, e de toda a educação democrática, o autoritarismo está tão presente e é tão agressivo, quer-se dizer que responsáveis de Estado de hoje se encontram menos desenvolvidos que Salazar que denominam de fascista. De facto o sistema democrático pressupõe a defesa sistemática de minorias, da pluralidade, e o espírito cívico cultivado. Como pode justificar o partido que se encontra no governo o uso de métodos antidemocráticos, métodos de sistemas fascistas?! Atitudes como as de Sócrates desonram o socialismo democrático! Uma contradição, uma incoerência disfarçada. Se os do antigo regime tinham a desculpa da mentalidade e do tempo, hoje os censuradores e manipuladores da opinião pública tornam-se mais fascistas do que aqueles que designam como tais! Quem persegue tão sistematicamente jornalistas como tem feito o governo de Sócrates não tem autoridade para defender a democracia, nem tão-pouco a partidocracia, nem sequer autoridade tem para criticar o regime do Estado Novo. Pelo que mostram, se estivessem no lugar dos governantes do Estado Novo, ainda seriam mais autoritários que eles. Ou será que querem fazer retroceder a roda da História?! Esta gente encontra-se na mó de cima a pretexto da liberdade, da igualdade e da solidariedade. A legalização do voto não os pode legitimar pelas barbaridades que fazem. Isto parece uma democracia caricata, em que um governo de minoria tem a ousadia de perseguir quem o critica. Antes tínhamos um povo pobre mas honrado; pelo que se vê, ganha-se a impressão de que estamos a caminho não só dum povo pobre mas também dum pobre povo! Quem não segue a política de Sócrates e seus camaradas leva! Na Rússia matam os jornalistas não conformes, em Portugal, país de brandos costumes”, “cortam-lhes as pernas”! Só há respeito pelos da “seita”! Numa sociedade doente, a má consciência e o mau governo socorrem-se do silenciamento. Necessitamos dum país não rico mas honrado. Precisamos de bons exemplos, de pessoas de estado e não de jacobinos! Um Estado que teima em viver do oportunismo, da hipocrisia e da inveja não sairá da cepa torta! Progresso é mais eu ideologia! A tolerância dos portugueses deixa de os honrar, quando toleram a intolerância. É pena que um governo que tendo, muito embora, tomado algumas iniciativas corajosas, se rebaixe tanto e revele tanta aversão à liberdade de opinião e tanto desprezo pelos que não são da própria cor! Nos momentos difíceis é que surgem os heróis. Levantem-se as pessoas honestas e honradas de todos os partidos e insurjam-se contra as arbitrariedades dalguns que além de desacreditarem um socialismo democrático se revelam antidemocráticos, nas suas atitudes dentro do Estado. Um Estado democrático tem direito a ter cidadãos e não só súbditos! Para isso precisa mais de cidadão eleitos e não tanto de indivíduos escolhidos! Dos Media portugueses não podemos esperar muito porque estão dependentes das esmolas e dos pareceres dos seus “superiores”! Boa noite Portugal! Bom dia Doutor Crespo! Portugal precisa de muitos homens e mulheres assim, que se debatam por um Portugal digno e honrado em que a honra não continue açambarcada por alguns mas passe a ser democratizada! Importa ter compreensão pelos que trabalham para matar a fome do estômago e a quem não é permitida ainda a fome cultural e também por uma geração demasiado preocupada em defender os postos que tem e que para serem mantidos ou promovidos não têm outro meio que não seja a hipocrisia! Surjam porém mais cidadãos para que haja menos súbditos! Difícil em tempos de crise! E Portugal tem-se encontrado sempre em crise!… Ou será que Portugal é mesmo ingovernável por carência de governados e de governadores? Então só como até agora ou anarquia! António da Cunha Duarte Justo 05-02-2010 P.S: Segue o texto de Mário Crespo “O Fim da Linha”, por Mário Crespo Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento. O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa. Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”). Fui descrito como “um profissional impreparado”. Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal. Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o. Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”. É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos. Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados. Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”. Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre. Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009. O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu. O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”. O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”. Foi-se o “problema” que era o Director do Público. Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu. Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada. Nota: Artigo originalmente redigido para ser publicado hoje (1/2/2010) na imprensa (Jornal de Notícias). Nota da Direcção do SJ Tendo tomado conhecimento do teor de um artigo do jornalista Mário Crespo, difundido hoje no sítio do Instituto Sá Carneiro na Internet e replicado por vários órgãos de informação na Rede, aludindo ao teor de uma conversa entre o primeiro-ministro, dois ministros e um executivo de um operador de televisão, durante a qual o nosso camarada terá sido objecto de referências desprimorosas e ofensivas, e tendo sido instada a pronunciar-se sobre o caso, a Direcção do Sindicato dos Jornalistas torna desde já público: 1.A ser comprovado o seu teor, a conversa referida é profundamente condenável, não apenas pelas expressões desprimorosas para a pessoa e para o profissional, mas também por alimentar a suspeita de que o Governo persegue os jornalistas, os serviços noticiosos e os órgãos de informação que não são do seu agrado. 2.Reconhecendo-se o direito de opinião sobre o desempenho dos órgãos de informação e dos jornalistas, não se pode aceitar o recurso a expressões susceptíveis de atentarem contra a honra e a dignidade dos visados ou que constituam uma ameaça – mesmo velada – ao seu futuro profissional. 3.As expressões alegadamente utilizadas não podem ser empregues por pessoas de bem e muito menos são aceitáveis na boca de titulares de altos cargos, pelo que, a confirmarem-se, se impõe uma retractação pública das pessoas que as tenham proferido. Lisboa, 1 de Fevereiro de 2010 A Direcção |
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António Justo: Despertar o interesse das Crianças pela Leitura(0)
Seguir o Exemplo dos Judeus O ensino em família é essencial para o desenvolvimento da criança. O melhor exemplo de fomento poderia encontrar-se nas famílias judaicas, onde os pais, desde muito cedo, se dedicam aos filhos promovendo as suas competências intelectuais. Também por isso, têm tanto sucesso! Por detrás dos grandes inventos e dos mais variados conceitos sociais está, muitas vezes, a cabeça dum judeu (1). A família é o melhor meio para se criar hábitos. Um pai ou uma mãe que passa todos os seus tempos livres à frente da televisão é mau exemplo para a formação dos filhos. Naturalmente, um dia de trabalho duro na fábrica só convida o pai ou a mãe a estender-se no sofá e a comprazer-se num mundo mais variado da TV. Pior ainda quando a televisão se torna em ama de bebé. A TV, nos primeiros anos de vida e o seu demasiado consumo durante a infância e adolescência, impede o desenvolvimento da capacidade de fantasia, dado ser uma sequência contínua de imagens em catadupa sem espaços livres para a própria imaginação. É um preservativo contra a leitura. O pai e a mãe conscientes, usam no mínimo a TV e começam já muito cedo a possibilitar à criança o apalpar, o observar e folhear livros de imagens. A percepção do livro e da vida começa pela imagem, pelo ouvido e pelo tacto. A descoberta e desenvolvimento do prazer nasce nas imagens, no apalpar e folhear. Se observarmos o comportamento da criança nos primeiros anos de vida verificaremos que ela começa por provar o livro, por meter o brinquedo na boca; depois vem o momento de fixar-se longamente nas imagens e o exercício dos dedos finos no esfolhear das páginas… todos os sentidos são envolvidos na aprendizagem. A mãe ou o pai, ao ver as imagens com a criança e ao trocar impressões (ou representar) sobre as cores, sobre as formas e imagens ou sobre a leitura, estimula o contacto gratificante da criança com este mundo. A criança brinca e movimenta-se no mundo emocional da fantasia. Daí a importância que tem a leitura por parte dos pais na fase em que a criança não lê. Esta, ao ouvir, adquire hábitos de ouvir e aprende a concentrar-se e a imaginar novos mundos ainda não petrificados. Ela gosta de figurações (imitações), aventuras, lendas, histórias. A imaginação viva, fora das sequências de imagens televisivas, torna-se na matriz da criatividade fazendo da criança autor e não apenas espectador consumidor. Se lhe dermos oportunidade, com o tempo, desenvolvem até o teatro que começa com o jogo em que uma criança faz de médico outra de paciente. Não se trata só de desenvolver as capacidades da linguagem, da palavra, do som e do ritmo, de desenvolver unilateralmente as capacidades cognitivas. Pelo menos até aos seis anos é importantíssimo o desenvolvimento da fantasia, do jogo, do teatro, da música. Nas primeiras fases (até aos dez anos) não são oportunos livros de intenção crítica ou política. Uma atitude motivadora da leitura dá-se naturalmente começando já muito cedo. Para isso há as mais diferentes estratégias. Uma delas seria ir à biblioteca com a criança deixando-a a ela escolher os livros que leva para casa. Não é conveniente levar muitos livros de cada vez, mesmo quando se trata de livros só de imagens, porque, em geral, a criança precisa de ver e ouvir muitas vezes as mesmas coisas. A sua fantasia é muito criativa acrescentando outras cenas às que vê. É muito importante estar-se atento para se descobrirem os interesses e tendências da criança. Só assim pode ser fomentada com grande eficiência. Cada criança é ela mesma e tem algo específico a trazer ao mundo. O que é bom para uma ou para os adultos pode tornar-se em desmotivação para a outra. É muito importante a atenção ao desenvolvimento motor, emocional, cognitivo e psicológico da criança. A escola reduz muitas vezes a criança a um saco aberto, em que se lançam muitas coisas menos as próprias, tudo à custa do desenvolvimento da própria personalidade; tudo na construção dum mundo só dos outros, dum mundo estandardizado, um mundo fábrica. A competência para leitura deve ser integrada na competência para a vida, começando já no ventre materno. Uma mãe que canta, um pai que fala e acaricia o ventre da esposa já começa a fomentar as competências auditivas e emocionais da criança. Cada idade tem as suas preferências e interesses. Estes, mais que ditados de fora terão de ser descobertos em sintonia e ressonância com a criança e com o adolescente. Importante é que a criança ganhe o prazer da leitura, sendo menos importante o assunto da leitura. Então, mais tarde, os tempos de leitura já não se revelarão como concorrentes dos tempos livres de escola. As crianças lêem, mas precisam de livros adequados que respondem aos seus interesses pessoais e à sua escolha, como mostra a série de livros de Harry Potter que entusiasmam crianças a lê-los com ânsia já a partir dos dez anos. Constato, em casa, que o último livro de 800 páginas é lido pelo filho de 15 anos numa semana. Uma casa sem uma estante de livros é já um testemunho de pobreza espiritual. Uma casa com livros tem muitas janelas abertas ao mundo. António da Cunha Duarte Justo 02-02-2010 |
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