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António Justo: Reforma das Universidades e dos Institutos Politécnicos(0)
Praxismo Socialista desmiola o Humanismo Cristão Com a implementação do Processo de Bolonha pretende-se reordenar e uniformizar as universidades europeias. A reforma orienta os currículos universitários para a produção económica e tende adaptar-se à sua massificação. Os novos perfis e ciclos de formação universitária, pretendem fabricar bacharéis e mestres de configuração mercantil. A universidade perde a sua autonomia científica para ficar subordinada à pressão da economia, das leis do mercado e dos interesses políticos. Pretende-se um sistema universitário instigador da concorrência entre professores e cadeiras. Desfavorece-se a ciência em favor da técnica no sentido de facilitar cientistas irreflectidos. A resistência por toda a Europa a esta reforma tem a ver com a defesa de valores de tradição humanista que os novos magnates não entendem. Os Estados obedientes ao ditado da economia pretendem reduzir ainda mais as ciências humanas ou quando muito pô-las ao serviço da economia. O bom senso levanta-se também dentro das universidades, mas os interesses dominantes podem mais. Antigamente a exploração do Homem assentava na ordem social, hoje a sua desumanização é baseada na ordem democrática partidária atrelada ao turbocapitalismo. No século XIX e XX o operário foi mantido afastado da vida espiritual e cultural da nação. O saber e, com ele, o Estado estavam nas mãos da burguesia. Assim o legitimava a ordem mecanicista e determinista da ciência, o darwinismo social e a tradição. No século XX, os mesmos, alistados nas elites de ideologias preponderantes ocupam o Estado prolongando assim o século XIX. Ignoram o espírito integral da nova era (a nova ordem a surgir da física quântica e da dinâmica trinitária do ser). Em nome do progresso, a cultura de espírito proletário marxista vai-se aninhando nas universidades. Com o argumento republicano e democrático, as elites do poder afirmam-se na luta contra o elitismo do pensamento. “Proveito imediato” é a palavra de ordem dum utilitarismo míope destruidor de futuro ecológico e humano. As universidades reflectem cada vez menos a vida espiritual e cultural europeia e nacional. Correm mesmo o perigo de serem reduzidas a oficinas modeladoras de intelectos ao serviço da indústria e do comércio internacional. Os ventos da ideologia proletária, com a sua ética do consumismo, determinam a orientação do espírito da universidade. O espírito que orienta a reforma em curso não parece compatível com o espírito livre e humanista da universidade tradicional que foi garante e expressão da cultura ocidental. A nível institucional, sacrifica-se a cultura do homo “sapiens” ao homo faber. Assiste-se à consumação do mecanicismo determinista numa época que já o superou cientificamente. A economia do mercado e o sistema democrático partidário pretende forças de trabalho à disposição e uma burocracia fiel e maleável. Espíritos livres e pensantes só emperrariam o seu carrossel. O espírito, o saber integral e integrado seria areia na engrenagem da sua máquina a dificultar uma produção lucrativa. As elites económicas e políticas apostam na parte escura do Homem e na verdade oportuna do momento; querem prescindir de orientação científica humanistico-espiritual. Contudo, utlidade não constitui por si mesma um critério moral. O desejo do saber e de liberdade foram a razão da expulsão de Adão e Eva do Paraíso… Os deuses do nosso Olimpo são pessoas ciosas do poder e do seu saber; por isso repetem o gesto de Júpiter para com Prometeu que pretendia, contra a sua vontade, comunicar aos homens a chama da sabedoria divinal. Prometeu queria os homens livres e por isso deu-lhes o fogo que roubou aos deuses. Os deuses são invejosos e cientes do que têm. Como vingança, Júpiter prendeu Prometeu a uma pedra no Cáucaso e mandou uma águia alimentar-se do seu fígado, durante vários anos, até ao dia em que Hércules o libertou. Os nossos deuses são mais civilizados que os deuses antigos e em vez de degradarem os inteligentes procuram dar-lhes um posto nas antecâmaras do Olimpo, no seu sistema e na administração para assim impedirem a comunicação da chama do saber ao povo. Sobrecarrega-se o estudante com cadeiras diversificadas não restando ao estudante tempo para pensar nem a possibilidade de adquirir uma visão de conjunto. Falta uma fenomenologia que mostre ao estudante a conexão entre as diferentes ciências e entre os diferentes áreas da vida. Falta uma consciência e uma praxis que leve o estudante a confrontar-se com as duas formas de acesso à Realidade: uma de carácter material através das leis naturais e a outra de carácter espiritual ou humana que parte da pessoa com uma individualidade e responsabilidade própria. Espírito e matéria são as faces complementares da mesma moeda (realidade). As ideologias partidárias sofrem de velhice alimentando-se ainda duma ciência mecanicista que alcançou a sua fluorescência no século XIX mas já não terá validade alargada no século XXI, o século a construir baseado na física quântica e num humanismo integral (que apelidaria de trinitário). O saber inteligente cede ao saber integral para lá da órbita das normas e do hábito. Os novos conhecimentos da física e das ciências humanas já não permitem confundir o método científico com a verdade absoluta. O físico Friedrich v. Weizsäcker, demostra já em 1964 que a ciência baseada em Newton não constitui a verdade sendo apenas um determinado método de investigação. Se as ciências da natureza investigam a expressão das formas a partir das leis da natureza com o mundo dos sentidos, as ciências humanas expressam a forma das leis. A hipótese de Darwin da origem das espécies através de acaso e selecção também já foi cientificamente refutada, mas continua a ser oportuna para as elites. O mundo é muito complexo pressupondo uma „ordem central” que se impõe independentemente de ordens parciais incluindo também a ordem causal. A realidade encontra-se na complexidade e não na bagatelização quer das ciências humanas quer das ciências naturais. Primeiro apagaram os candeeiros das catedrais e agora apagam a luz das universidades. A independência do professor e seu saber são submetidos à burocracia e à produção. O espírito proletário vigente, desvaloriza o espírito humano integral e procura reduzir tudo ao nível do meramente funcional, à banalidade do factual elevada a filosofia de vida. A construção da nova sociedade digna do Homem pressupõe uma consciência nova no processo de hominização do indivíduo e dignificação duma sociedade aberta em processo. A liberdade e a solidariedade serão as suas forças determinantes no sentido da dignidade humana e da dignidade de toda a criatura da natureza. Para isto é preciso acordar tanta gente bem intencionada das instituições sociais e económicas. Só um alargamento da consciência e desenvolvimento da personalidade de cada pessoa poderá provocar uma mudança para melhor. A crise está a ser aproveitada pelos espertos de sempre. Os sinais dos tempos apontam para a necessidade do surgir duma elite espiritual humanista na qual se possa apoiar a democracia cívica. Cada vez se torna mais impossível uma reforma do sistema a partir de dentro. A não ser que por todo o lado vá surgindo uma elite humanista espiritual com os pés bem na terra e na qual se possa apoiar o processo da democracia que passará a ser um processo de humanização. Esta fomentará o querer, a formação integral, a auto-realização e a participação no poder. Temos motivos de esperança: O socialismo também tem os seus valores e é o filho pródigo da cultura judaico-cristã!… António da Cunha Duarte Justo 14-09-2009 |
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António Justo: Escola – Uma sociedade de todos para alguns(0)
Ideologia é vida em segunda mão, é vida da cabeça dos outros O primeiro-ministro José Sócrates, enquanto chefe do governo, conseguiu distanciar a escola dos cidadãos para a subordinar aos interesses do governo. Maquiavélico, difama os professores roubando-lhes a dignidade humana e social. Agora, em tempos eleitorais faz promessas aos que antes ofendeu. Com promessas “e bolos se enganam os tolos”!… Conta com a fraca memória do povo e sabe que a isca da ideia pode muito em cabeças vazias ou distraídas! O processo de remodelação escolar por ele iniciado tende à burocratização da escola para a pôr inteiramente ao serviço do sistema e dos que o dominam. Que o Governo não seja sempre humano nas suas decisões é compreensível, o que se torna intolerável é o cinismo com que têm incrementado o processo de desumanização das escolas. Conseguiu introduzir ideologia pela porta travessa da burocracia, reduzindo sujeitos a objectos. Ideologia é vida em segunda mão, é o estrume que alguns lançam nos campos da nação mas onde só alguns medram. Uma escola quer-se um espaço livre e isento de política partidária, um lugar de todos onde a comunidade educativa se desenvolve numa dinâmica interrelacional de realização da dignidade humana individual e social. Uma escola fiel à sua vocação genuína e aos interesses duma sociedade digna do Homem é o lugar da criatividade onde educadores – educandos realizam as suas capacidades individuais, a sua personalidade, numa atmosfera de liberdade responsável. Só um ensino virado para a personalidade, para a pessoa integral e não apenas para o intelecto possibilitará pessoas realizadas, livres e criativas. Um ensino dirigido só para o intelecto cria pessoas dependentes e frustradas. A escola terá de se tornar num espaço livre, numa comunidade educativa de descoberta recíproca. O saber mais profundo e transformador acontece na vivência do testemunho directo. O sistema democrático partidário vive de ideias, não quer modelos e prescinde mesmo de personalidades íntegras; investe de preferência em ideias à margem de ideais de vida e em pessoas já acabadas e com certezas, não interessadas na procura da verdade. Odeiam tudo o que é processo, ignorando que o ser humano, a natureza e a sociedade são um processo vivo, nunca objectivável tal como a verdade. São relação a acontecer. Isto contradiria os princípios e estratégias que os levaram ao poder: dividir para reinar, desumanizar para mandar. A procura da verdade e a formação de personalidades abertas constituiria um estorvo numa sociedade que querem partida e repartida. Por isso querem uma escola que sirva verdades mastigadas pelas bocas da ideologia, seja ela qual for. Querem uma sociedade de certezas mas não de verdade. Assim, um povo sem personalidade nem personalidades estará sempre disponível e agradecido, chegando mesmo a ter momentos de empertigação ao contemplar as “personalidades” insufladas de poder. Assim se estigmatiza um povo, levada à situação de jarra partida, reduzido a cacos partidos, a ser colados pela cola da inveja… Por isso todas as ideologias autoritárias são pelo ensino nas mãos do estado, contra a construção duma sociedade civil democrática que purificaria o regime democrático partidário. Por isso o sistema autoritário contra uma sociedade humana aposta em planos escolares burocráticos e não numa pedagogia livre, humana e integral sempre em processo contextuado. Não acreditam na dignidade da pessoa nem na dignidade da sociedade. Querem modelá-la à imagem e semelhança de suas ideologias feitas de ideias ressequidas e nascidas da inveja e do ressentimento, que trazem em si o veneno de toda a criatividade. Querem uma escola prosélita que reduza a dignidade do aluno à categoria de coisa e os docentes a meros instrumentos da sua máquina burocrática. Querem cidadãos convictos de ideologia e não convictos da vida. Nas manifestações massivas dos docentes, a sociedade portuguesa não se deu conta da complexidade do fenómeno e caiu na esparrela do governo não descobrindo o desejo de liberdade e de criatividade muito escondido por baixo duma classe que consciente ou inconscientemente reagia à ideologia burocratizada na escola. Falta-lhes a vontade e a fantasia ainda latentes na criança depois frustradas com o andar escolar. A fantasia da criança é ocupada pelo intelecto vocacionado para a análise e para conexões lógicas numa visão da realidade como a soma de partes isoladas enquanto que a fantasia e a intuição, que parte duma visão panorâmica do todo para as partes, é sufocada. No aguentam a visão do vaso completo, querem-no partido… Em vez do fomento das forças criadoras naturais da criança investe-se tudo num tipo de escola que ignora as aptidões individuais, estiolando-as no sentido duma adaptação inconsciente a um sistema morto e que vive predominantemente num estado inconsciente. Falta o equilíbrio entre as disciplinas e a aferição das mesmas às idades, falta-lhes a consciência da dignidade humana e da dignidade dos seres em geral. Neste contexto a escola deixa de ser processo possibilitador de processos de humanização e de socialização humana para se reduzir a oficina de adaptação e de reparação de peças para a máquina Estado. A este incomodaria uma escola empenhada no desenvolvimento da personalidade, dado que o que lhe convém é a formação duma sociedade rebanho, com um cidadão tipo cão. A democracia partidária é coesa em si mas desacredita a democracia civil ao privilegiar o fomento duma cidadania canina. A vida dum povo, duma nação está dependente da sua criatividade e do seu espírito de liberdade. Não é suficiente uma formação geral a nível de TV. Esta retém e oculta a vida cultural e espiritual vivendo duma imagem de homem e de sociedade sobretudo alienante. O homem coisificado é de fácil domínio. O partido quer votantes e a fábrica só quer braços. A cabeça estorva e o coração só interessa como músculo. Por isso se encontram Estado e Economia tão unidos na transformação da sociedade em mercado e do cidadão em proletário alheado. Acabou-se com as fronteiras da nação, da raça e da religião para se criarem os canteiros das ideologias partidárias e os lameiros da economia. Numa sociedade turbocapitalista e de ideais marxistas, o pensamento deu lugar à ideologia, que se revela como o melhor ópio do povo. Neste sentido a escola quer-se reduzida a uma oficina do sistema e não uma instituição processo possibilitadora de processos no sentido da personalidade e dum desenvolvimento superior. As revoluções não têm sentido, só servem os mais iguais. A construção duma sociedade humana é um processo contínuo contra a alienação e com lugar para o sonho. Só um empenho pessoal e iniciativas na criação de biótopos naturais, com uma atitude crítica perante o Estado e o sistema, possibilitarão uma certa imunidade contra a corrupção e facultará uma cultura civil do humano transcendente, capaz de humanizar a democracia partidária. Só o empenho na humanização do homem e da sociedade poderá ser gratificante e impedir a frustração duma sociedade de cartaz. Não há verdade feita, não há Homem feito, um e outro são a mesma realidade a acontecer. António da Cunha Duarte Justo 09-09-2009 |
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António Justo: A A32 acordou a Branca – Um povo à procura da nação(0)
A caminhada da população da Branca, realizada a 19.07.2009 contra a destruição da sua fisionomia natural, revela a jornada mental progressiva duma população cada vez mais civil, mais consciente e menos anónima. Acordada pela irresponsabilidade política num Estado que ainda não conhece nem reconhece o cidadão nem as regiões, a população levanta-se contra os interesses de poderes anónimos abrigados pelos mercenários dos ministérios lisboetas. A Branca foi acordada, da sonolência geral, pelo pesadelo da planeada auto-estrada (A 32). Parece não se contentar com os malabarismos vaidosos duma Capital autista que se assenhoreia dos bens das diferentes regiões de Portugal. Nunca será tarde para o Estado descobrir o Povo e o povo descobrir a Nação. Até agora a vila da Branca tem conseguido a atenção dos partidos das bancadas parlamentares, com excepção do partido do governo que tem sobressaído pela ausência e pela aposta em trocadilhos oportunistas e no tempo pós-eleições. Continuam a interessar-se apenas pelo seu poleiro: Lisboa, o poleiro dos galos de Portugal. De facto, o que tem vingado é a ideologia e interesses partidários contra a paisagem natural e contra o património popular e cultural, contra as regiões. O Ministro do Ambiente, movido por interesses escusos, optou, em Dezembro, por mudar o troço de construção da A32 de poente para nascente, querendo fazer passar a auto-estrada por cima do monte de S. Julião, a parte mais exposta e mais rica da Branca a nível ambiental, paisagístico, ecológico e histórico. A decisão tomada desmascara o ministro que não tem sensibilidade pelo Ambiente. A Branca protesta em peso contra a destruição do património e do ambiente da sua cidade. A luta da população contra a construção da A32 (uma auto-estrada para moscas e moscados!) que destruirá a sua imagem, sem respeito por espécies protegidas nem pela qualidade de vida da vila nem pelo investimento de capitais e sonhos em casas e urbanizações. O Governo, sem o mínimo de respeito por tudo aquilo que considera “província”, quer degradar uma zona paisagística de primeira classe. Em iniciativas, manifestações, marchas, idas a Lisboa e reuniões nos espaços da Junta de Freguesia, a população tem-se mostrado incansável. Um inicial movimento de cidadãos contra projectos absurdos parece tornar-se num movimento cívico de cidadãos adultos, cada vez mais empenhados na defesa da terra contra os interesses políticos partidários e de comparsas. A Branca questiona o traçado poente inicialmente planeado e insurge-se contra a opção do traçado a nascente adulteradora do melhor que a Branca tem: a sua encosta que deve ser posta à disposição de interesses políticos e de seus cúmplices por uma “Lisboa” distante e arrogante para quem “o Norte” já fica em terras de ninguém. Na expressão lisbonense “vou ao Norte” parece estar sub-reptícia a sensação de se sair para o indeterminado, de se sair de Portugal. Nélia Oliveira, presidente da “AURANCA” (Associação do Ambiente e Património da Branca Alb), Joaquim Santos e seus companheiros e companheiras de luta podem sentir-se orgulhosos pelos resultados obtidos a nível de movimentação da população e de fomento do espírito cívico. Conseguem mover a população de forma apartidária e com ela concretizar imensas iniciativas que são exemplo para outras populações, também elas sofredoras da arrogância dum centralismo irresponsável, mas sem terem acordado ainda da apatia habitual que as paralisa para qualquer iniciativa. Aquela apatia que surgiu com a morte de Camões e foi cimentada pelos mercenários do povo que se aquartelaram nas infra-estruturas do Estado e da nação a partir das invasões francesas. Só um Governo orgulhosamente só e contra a natureza e cultura nacional poderá continuar indiferente à razão e à voz do povo, a tantas excursões de protesto à Assembleia da República, a tantas marchas e a tantas manifestações. Seja como for a Branca quer “Lutar até vencer”, até curar as maleitas de que o nosso Estado sofre. As 500 pessoas da Branca, presentes na caminhada de protesto contra a A32 estão conscientes de se encontrarem no bom caminho representando os interesses dos 6.000 habitantes da vila e das gerações futuras. Terão de continuar alerta para que a razão e a sensibilidade vinguem. Numa sociedade sem consciência cívica nem nacional (de patriotismo bacanal) vive-se segundo a estratégia infantil: “quem não berra não mama” e se a pequenada não está atenta… eles comem tudo e não deixam nada!… O biberão do Estado é sempre o mesmo e nas mãos dos mesmos. Fascismo e democracia revelam-se como pretextos… Há que acordar, para o Homem, para a nação, para a comunidade, para si mesmo… António da Cunha Duarte Justo |
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António Justo: A32 – Alcatrão contra a população(0)
O Governo e seus lobbies investem no betão das auto-estradas financiadas pela União Europeia sem respeitarem as directivas europeias sobre a protecção de ambiente e das espécies, nem terem em conta o património cultural, natural e histórico nem tão-pouco os interesses das populações atingidas. De facto, o Governo português transpõe as directivas europeias para o direito nacional mas não o aplica. Aposta na falta de iniciativa do povo e nos vícios de forma e na nebulosidade para não cumprir as directivas e assim levar a efeito projectos irracionais. A população da vila da Branca, do concelho de Albergaria-a-Velha, cansada perante o mutismo do Governo, das desculpas de mau pagador dos ministérios e dos paliativos políticos, vê-se na necessidade de dar passos mais decisivos para levar a efeito a defesa dos seus direitos contra a construção da A32. A A32 vem servir São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Albergaria-a-Velha e Águeda, apesar de, junto a estas cidades, já passarem duas auto-estradas no sentido Porto-Lisboa. De início, com o governo PSD, só tinha sido projectado o troço até S. João da Madeira e de S.João da Madeira até à A29 em Ovar, como resposta a uma política de alargamento da área metropolitana do Porto (Cfr. Decreto-Lei n.º 210/2003, de 15 de Setembro). O Governo PS, que parece só conhecer Lisboa, quer fazer daquela iniciativa regional, uma terceira auto-estrada no sentido Norte-Sul até Lisboa. O povo da Branca bem se ergue nos bicos dos pés para dizer que o Norte também existe e deve ser contemplado nos seus interesses. É uma luta de David contra a megalomania centralizadora do Golias Governo. Para se tornar eficiente terá de usar a fisga tribunal, doutro modo, eles comem tudo e no deixam nada… O traçado a nascente (PDM) constitui um abuso de poder e além do mais passaria por um espaço de reserva ecológica nacional. Comporta a construção dum viaduto de 995 metros, com pilares de 35 metros de altura, com pendente constante de 6%, passando pelo meio de casas. O traçado destruiria, na encosta do monte de S. Julião, 35 minas e pontos de água. O património histórico seria destruído, e a imagem paisagística da Branca seria irremediavelmente destruída além da poluição de águas, poluição sonora e atmosférica. O impacto ambiental seria irreparável. A fauna e flora da área (falcões, esquilos, javalis, etc.) seriam abatidas. O Prof. Doutor Humberto Flávio Xavier, professor de direito público e advogado, esteve numa sessão de esclarecimento da “AURANCA” (Associação do Ambiente e Património da Branca) para ouvir e dar esclarecimentos sobre estratégias a seguir em defesa dos direitos em causa. Para que a acção popular tenha resultados positivos será preciso intentar várias medidas na fase pré-contenciosa para depois se passar à fase contenciosa. Será necessário alertar a Greenpeace internacional e as autoridades competentes da Comissão Europeia chamando a atenção para o incumprimento do direito ambiental e para a transgressão de direitos humanos. A União Europeia não poderá disponibilizar verbas a serem aplicadas em projectos que transgridem o direito europeu. Além disso há uma directiva europeia que impede empreendimentos que destruam a imagem da zona, que destruam zonas paisagísticas expressivas e específicas dos locais. Como ultima ratio e paralelamente será necessário colocar a questão, primeiramente, em tribunais nacionais. Para isso proprietários de terrenos por onde passaria a auto-estrada e cidadãos prejudicados com a passagem do traçado pelo local e terceiros deverão juntar-se para mover uma acção colectiva em tribunal. Foi proposto que a “Auranca” assumisse o papel de fazer o levantamento das pessoas implicadas no processo e dispostas a custear as despesas de tribunal. Assim se manteriam baixos os custos duma acção de grupo que nomearia os representantes para o representar nas questões processuais jurídicas. Acabadas as férias urge meter mãos à obra. Doutro modo os políticos continuarão o jogo das escondidas com a EP (Estradas de Portugal) e a não levar a sério os cidadãos e seus representantes directos: Junta da Freguesia e Câmara Municipal votaram contra o traçado a nascente. Além do mais, há matéria para ocupar o tribunal europeu em Bruxelas, não sendo de desprezar também uma acção por desrespeito dos direitos humanos. É de considerar que, neste projecto público como noutros, o Governo só parece interessado em gastar dinheiros sem ter também em conta as despesas de manutenção que hipotecarão o futuro dos mais jovens.Não permitam que o governo continue a atirar alcatrão contra a população! António da Cunha Duarte Justo Fonte: GAIA |
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